A
Revista
de Antropologia, primeiro periódico especializado em nossa disciplina
publicado no Brasil, comemora meio século de existência. Fundada
em 1953 pelo professor Egon Schaden, já foi o órgão
oficial da Associação Brasileira de Antropologia, da Associação
Brasileira de Sociologia e, atualmente, é publicação
do Departamento de Antropologia da FFLCH-USP.
Ao longo desses anos - desde
os primeiros números, de feitura artesanal, até o presente
momento -, a Revista atravessou várias fases, tendo passado por
mudanças de formato e política editorial, mas sempre pautada
pelo objetivo que está expresso em suas primeiras páginas:
"a divulgação e discussão de temas, resultados de
pesquisas e modelos teórico-metodológicos próprios
da antropologia em suas diversas áreas e interfaces com disciplinas
afins, a partir de textos inéditos, de forma a proporcionar aos
leitores um panorama sempre atualizado das questões mais relevantes
de seu campo de pesquisa e reflexão, no país e no exterior".
Para marcar a data, a Comissão
Editorial programou esta edição comemorativa com entrevistas,
artigos e depoimentos alusivos à trajetória da Revista de
Antropologia e ao papel que ela representa no campo das ciências
sociais no Brasil.
O desafio para este número
seria chegar ao tom adequado: teria de reconhecer e prestar a justa homenagem
não apenas a seu fundador,
Egon
Schaden, como também aos demais editores com suas respectivas
Comissões Editoriais e equipes técnicas, mas sem imprimir
um viés demasiadamente memorialista: afinal de contas, o "presente
etnográfico" não é apenas a retórica característica
das narrativas mais emblemáticas de nossa disciplina, mas reflete
a ênfase na contemporaneidade de suas reflexões.
A entrevista com João
Baptista Borges Pereira, assim como a maior parte dos depoimentos e os
artigos de Mariza Corrêa e de Júlio Assis Simões e
Fernanda Peixoto recuperam os primeiros tempos da Revista, situando-a no
contexto específico de seu surgimento e processo de consolidação;
já o texto de Paula Montero realiza um balanço de sua fase
mais recente. A entrevista com Bento Prado Júnior, sobre Pierre
Clastres, responde à intenção de fazer com que este
número trouxesse informações, a partir de uma perspectiva
diferente, sobre um autor - com passagem pelo Departamento de Antropologia
da USP e contato com alguns de seus integrantes - cuja obra volta a ser
objeto de interesse acadêmico e editorial. O artigo de Marcio Goldman
compõe o quadro para ressaltar não apenas a presença
e importância da etnografia, ao longo das páginas da Revista
desde os primeiros números (com todas as facetas, conotações
e leituras que este termo implica), como o papel central e específico
que ocupa na prática e na análise antropológicas.
Fecha este volume, a exemplo
do que foi feito no número 21 (1978), um índice com todos
os autores e textos publicados desde o primeiro número até
a presente data, organizado por Francisco Simões Paes, que também
colaborou, juntamente com Sylvia Caiuby Novaes, na seleção
de fotos, gentilmente cedidas por Erika e Marina Schaden, filhas de Egon
Schaden, a quem prestamos nosso agradecimentos.
Encerro esta apresentação
com o registro das pessoas diretamente envolvidas na publicação
da revista:
1953-1978: Diretor:
Egon Schaden. Conselho de Redação (1953-1955): Plínio
Ayrosa, Herbert Baldus, Otávio da Costa Eduardo, Florestan Fernandes,
Antônio Rubbo Muller e Gioconda Mussolini. Secretário-Tesoureiro:
Renato Jardim Moreira, substituído em 1954 por Eunice Ribeiro (depois
Durham)1. Conselho Editorial (1978):
Hunaldo Beiker, João Baptista Borges Pereira e Renate Brigitte Viertler.
1979-1990: Diretor:
João Baptista Borges Pereira. Conselho Editorial: Hunaldo Beiker,
Lux Vidal, Liana Sálvia Trindade, Renate Brigitte Viertler, Amadeu
Duarte Lanna, Eunice Ribeiro Durham (a partir de 1982), José Guilherme
Cantor Magnani e Manuela Carneiro da Cunha (a partir de 1986). Secretário:
Renato da Silva Queiroz.
1991-1997: Editora
Responsável: Paula Montero. Comissão Editorial: João
Baptista Borges Pereira, Aracy Lopes da Silva e Lilia Moritz Schwarcz.
Secretária: Soraya Gebara2.
1997-2004: Editor
Responsável: José Guilherme Cantor Magnani. Comissão
Editorial: John Cowart Dawsey e Sylvia Caiuby Novaes, substituída
em 2003 por Júlio Assis Simões. Secretária: Soraya
Gebara.
A Revista de Antropologia,
plenamente consolidada, com um Conselho Editorial de projeção
no país e no exterior, devidamente indexada e com arbitragem, tornou-se
também, em 1999, a primeira do gênero a fazer parte da SciELO
(Scientific Electronic Library Online - http://www.scielo.br), biblioteca
virtual de revistas científicas brasileiras em formato eletrônico.
A iniciativa não se restringe à possibilidade de inaugurar
uma nova escala de divulgação e de permitir o acesso a todo
seu conteúdo: trata-se da aplicação de um projeto
mais amplo, resultado de parceria entre a Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informações em
Ciências da Saúde (Bireme), cujo propósito é
fornecer infra-estrutura necessária para pesquisa científica.
Essa inclusão no sistema
SciELO
e a incorporação das normas de editoração do
programa Qualis constituem os mais recentes ajustes para que a Revista
de Antropologia, fiel a sua história e aos objetivos definidos por
sua missão, esteja sempre em consonância com as exigências
postas pelo campo de reflexão de nossa disciplina.
Pela Comissão
Editorial
Editor Responsável