Casa paulista:
história das moradias anteriores ao ecletismo trazido pelo café
Carlos A. C. Lemos
EDUSP
1999, 264 pp.
Por Fraya
Frehse
Professor universitário,
arquiteto, pintor e historiador da arquitetura brasileira: Carlos Lemos
é um autor cujo nome se confunde com muito do que se sabe hoje sobre
as formas de morar em São Paulo no passado. Nesse sentido, o recente
Casa
paulista... foi escrito por um pesquisador já consagrado, detentor
de uma vasta obra acadêmica referente à arquitetura residencial
paulista e que se sobressai também por seu engajamento institucional
em defesa do patrimônio histórico do país1.
O
fato de abordar uma temática já explorada pelo estudioso
em outras ocasiões não retira do texto nem um pouco de sua
instigante originalidade. Nele, Lemos explicita com todas as letras a perspectiva
teórico-metodológica que vem norteando o seu olhar sobre
a história da casa paulista. Logo nas primeiras linhas, a frase
"no território de São Paulo, (...) a evolução
das habitações atendeu a imposições de ordem
cultural que valem a pena ser recordadas por estarem esquecidas ou mesmo
não percebidas" (p.10) anuncia o que lhe interessa: a compreensão
do espaço por meio da cultura.
Essa orientação
perpassa a formulação da principal tese do livro, ousada
pelo escopo temporal e espacial que se propõe abarcar, e que preconiza
"ter havido um desenvolvimento da habitação paulista, sem
rupturas, sem mudanças drásticas ou saltos na forma e no
uso daquela casa até a chegada do café e do ecletismo, que
subverteu tudo" (p.12). Para desenvolver o argumento, Lemos sabe que é
imprescindível dialogar com a Antropologia, disciplina que incentiva
a reflexão sobre a relação entre espaço e contexto
sociocultural no mínimo desde que Émile Durkheim incluiu
a noção de espaço no rol das categorias do pensamento
coletivo2.
O arquiteto constrói
o seu recorte de análise recorrendo especificamente a considerações
de Eunice Durham sobre o caráter "artificial" do comportamento humano
(organizado que é através de sistemas simbólicos)
e sobre a relativa artificialidade, portanto, do ambiente que o homem cria,
recria e transmite adiante através da cultura3.
Nesse sentido, o que importa, segundo o autor, é compreender a relação
entre moradia "parte relevante desse ambiente artificial" e atividade
doméstica. E isso precisamente no contexto da chamada "arquitetura
vernácula", desprovida da figura do arquiteto, e na qual a técnica,
"manipulando os recursos da natureza envoltória, satisfaz as exigências
de todo um complexo cultural que rege a vida cotidiana" (p.22).
O reconhecimento explícito
da interface da Arquitetura com a Antropologia permite ao pesquisador elaborar
um instrumental peculiar de análise. A noção de "programa",
que, no léxico arquitetônico, designa o conjunto de atividades
programadas para se darem no espaço projetado, possui, em Casa
paulista..., uma conotação mais complexa, baseada na
constatação de um indelével descompasso entre o espaço
arquitetônico concebido e as vivências cotidianas que nele
se dão.
É por isso que seriam
duas as facetas do programa residencial. Se, em princípio, ele engloba
ocupações do grupo familiar comuns em qualquer região
do mundo (comer, dormir, realizar os serviços domésticos,
relacionar-se com estranhos etc.), assumiria, entretanto, singularidades
ligadas ao modo como se realiza no espaço, dependendo das condições
ou disponibilidades vigentes localmente em determinada época.
Entre o geral e o específico,
Lemos opta pelo segundo e, portanto, por uma abordagem referenciada pela
"antropologia cultural". Embora se autodenominando um "intruso em seara
alheia" (p.20), de fato se baseia nas relações e concepções
socioculturais vigentes em diferentes áreas rurais e urbanas daquilo
que é hoje o território paulista, a fim de apreender os programas
residenciais ali difundidos entre meados do século XVI e o último
quartel do XIX. E isso para além da atenção que dispensa
à técnica construtiva, ao clima e à intenção
plástica, elementos que, paralelamente ao programa, condicionam
a planta arquitetônica.
Mas como o especialista realiza
o seu empreendimento, se busca os programas de uma arquitetura hoje em
dia em grande parte inexistente, para a qual quase não há
documentação textual e iconográfica elucidativa? O
grande trunfo do arquiteto é uma aprofundada pesquisa em fontes
históricas variadas: plantas arquitetônicas, pinturas e fotografias
produzidas por ele mesmo ou por órgãos de defesa do patrimônio
histórico; escrituras e inventários; atestados de óbito
e testamentos; recenseamentos e livros de arquitetura popular ibérica;
relatos de viajantes, de memorialistas e textos de cronistas, políticos
e historiadores. Entrecruzar depoimentos contemporâneos com a iconografia,
à luz de uma contextualização do vocabulário
respectivamente empregado na documentação ("casa", "sobrado",
"alpendre", "varanda", "cozinha" etc.), permite ao estudioso apreender
hábitos, usos e costumes do passado.
Aí entram em cena
as três "atividades do cotidiano" que perfariam o programa da casa
paulista: o convívio com estranhos, a intimidade doméstica
e o trabalho caseiro (em especial, a culinária). Ao longo do tempo,
essas funções teriam dado origem respectivamente a zonas
de recepção, de intimidade e de serviço com características
definidas, nas casas das várias "regiões culturais paulistas"
(Bacias do Tietê, do Rio Grande, do Ribeira do Iguape, do Paraíba
e do Paranapanema).
E teriam produzido nestas
áreas, em meio a ciclos de riqueza econômica diversos, cinco
"momentos arquitetônicos": a moradia da fase do bandeirismo e dos
anos seguintes à descoberta do ouro mineiro; aquela do tempo do
açúcar e do tropeirismo; a casa trazida pelos mineiros migrados
a São Paulo com a decadência das minas auríferas; aquela
do tempo do arroz e a do início do ciclo cafeeiro.
É respectivamente
do programa, da técnica construtiva e do partido de cada um desses
tipos de residência que tratam cinco dos seis capítulos de
Casa
paulista.... O último capítulo tematiza a arquitetura
eclética introduzida em São Paulo no bojo da prosperidade
cafeeira oitocentista, a fim de discutir a principal tese do livro.
Mas não nos enganemos.
O livro não se restringe a descrever tipos de programas, de técnicas
e de partidos. Lemos encara o desafio de refletir a respeito dos mecanismos
socioculturais subjacentes à dinâmica de transformações
por que passa a casa paulista no tempo e no espaço, desde os primeiros
anos coloniais. Advém daí o peso que possui, no livro, a
chamada "casa colonial" a ponto de o autor sintetizar o seu intento como
"uma breve história da casa paulista, especialmente da casa colonial"
(p.12; grifos meus).
Se o primeiro e mais complexo
capítulo é todo dedicado a esta questão, isso se deve
ao fato de o arquiteto vislumbrar as três atividades-chave do programa
paulista primeiro na "casa bandeirista", construção própria
da população mameluca que surgiu na Bacia do Tietê
em meio à miscigenação ibérica e indígena
entre os séculos XVI e meados do XVIII. Quanto à técnica
construtiva, é também na casa bandeirista que primeiro se
dá o uso da taipa de mão e de pilão. Esta última,
herança árabe que chega a São Paulo por influência
ibérica, torna-se uma característica própria da arquitetura
paulista até a segunda metade do XIX.
Quando o assunto é
a origem do partido bandeirista, a acuidade da pesquisa documental permite
a Lemos afirmar que se difundiu em São Paulo, "tomando feições
próprias, um modelo popular ibérico qualquer. Na arquitetura
brasileira, teria sido a primeira manifestação onde uma apropriação
assumiu feitio regional ligado a uma sociedade segregada" (p.64). Longe
de preconizar que a presença do componente ibérico na arquitetura
paulista dos primeiros séculos seja indício de uma ausência
de dinâmica cultural, o pesquisador, na verdade, assinala o vigor
dessa influência para além dos inegáveis "sincretismos"
derivados do "confronto entre duas culturas, a indígena e a ibérica"
(p.22). Nesse sentido, abre espaço para que se reflita a respeito
do instigante fato de ser precisamente a releitura que a arquitetura ibérica
sofre localmente, num território marcado, no mínimo até
a segunda metade do XVIII, por forte isolamento e pobreza, o ingrediente
que garante a essa mesma arquitetura a peculiaridade que a destaca no cenário
da história colonial brasileira.
Definidos o programa, a técnica
e o partido da casa bandeirista, ganha sentido problematizar como a arquitetura
residencial paulista ulterior se relaciona com esse primeiro tipo de moradia.
No final do primeiro capítulo, o autor fornece uma resposta para
esta questão, que será corroborada por meio da análise
de vários outros exemplares arquitetônicos, nas páginas
restantes do livro.
Lemos
parte de uma crítica à tese clássica de Luís
Saia sobre o desenvolvimento da arquitetura rural colonial paulista com
a decadência do estilo de vida bandeirista4.
Apoiado em pesquisa documental e não apenas, como Saia, na análise
de doze exemplares de casas rurais então remanescentes , não
enxerga a casa bandeirista como "solução purista" a partir
da qual tenham necessariamente se derivado todos os outros modelos paulistas
"desconformes" de moradia rural colonial5.
Nada de padrões originais; não se pode, portanto, definir
a
priori as trajetórias formais dos diversos partidos arquitetônicos
na história.
E mais: é impossível
conceber que plantas arquitetônicas se sucedam linearmente ao longo
dos séculos. Analisando, por meio dos documentos, os diversos partidos
residenciais existentes em diferentes momentos históricos, o autor
demonstra que coexistem, no tempo, exemplares de casas com características
históricas bastante distintas.
Significaria isso que não
há qualquer continuidade entre a casa bandeirista e os modelos de
moradias produzidos nos séculos seguintes? Mesmo correndo o risco
de estar lançando um olhar demasiado antropológico sobre
a linha argumentativa do autor, penso ser possível afirmar que este,
mesmo que de maneira indireta, deixa o leitor entrever sim a continuidade,
mas uma continuidade que opera de forma específica.
Somos levados a discernir,
a partir das três "atividades do cotidiano" englobadas pelo programa
residencial colonial, uma matriz de funções que é
ressignificada nas distintas "regiões culturais" paulistas ao longo
dos séculos, em meio à dialética entre continuidade
e ruptura que caracteriza a dinâmica sociocultural. Acompanhamos,
por exemplo, como, nas moradias da região açucareira ao norte
de Campinas, o velho corredor fronteiro à casa bandeirista reaparece,
mesmo que fechado. Transformou-se em sala de receber, enquanto a capela
vira oratório exclusivo da família (Capítulo 2).
Mas contemplamos também
o que muda para continuar como era. Nesse sentido, a copa, por exemplo,
zona intermediária entre a cozinha e a sala de jantar que chega
às casas modernistas do século XX, seria uma herança
da antiga grande sala familiar bandeirista e da varanda do início
do Oitocentos (Capítulo 6). Mantém-se um espaço privilegiado
para a expressão da intimidade doméstica.
Uma dinâmica semelhante
vale para a técnica construtiva. Se a taipa de pilão é
própria da paisagem paulista durante três séculos,
também sofre ressignificações, em especial a partir
do momento em que começa a perder espaço para o tijolo. Atento
para o descompasso entre as concepções socioculturais vigentes
e o espaço concebido em meio a elas, Lemos flagra, nos primórdios
da prosperidade cafeeira em São Paulo, moradias que empregam os
então modernos tijolos conservando, no entanto, os velhos padrões
estéticos da arquitetura de taipa (Capítulo 4).
Mais do que reproduzir aqui
todos os fascinantes casos analisados pelo arquiteto, vale assinalar alguns
argumentos importantes que ele vai trazendo à tona à medida
que o texto avança. A chamada "casa paulista" moldada no decorrer
dos séculos deveria muito à presença, no território
que hoje constitui o Estado de São Paulo, de grupos de outras regiões
do Brasil. Mineiros chegaram à zona canavieira de Campinas e ao
médio Paraíba a partir dos anos finais do XVIII; ocuparam
os afluentes do rio Grande nos primeiros anos do Oitocentos. A influência
baiana, por sua vez, fez-se presente na arquitetura rural do Vale do Paraíba
dos primeiros tempos do café.
Por meio dessa interpretação,
o pesquisador contribui, com o seu quinhão, para a desconstrução
de um mito comum na historiografia paulista. Trata-se da crença
de que as vicissitudes da história de São Paulo e, em especial,
os sucessos econômicos desta se devam à atuação
exclusiva de gente originária destas plagas, sobretudo bandeirantes,
no contexto de isolamento em que então viviam6.
No que se refere estritamente
à cidade de São Paulo, pelo fato de a análise abranger
um período histórico bastante amplo, são outros os
mitos que o autor ajuda a relativizar; precisamente, o de que a aparência
colonial da cidade só tenha sofrido alterações a partir
da década de 1870, sob a influência do crescimento da economia
cafeeira no oeste da então província de São Paulo7.
O estudioso mostra que uma primeira avalanche de transformações
da arquitetura colonial piratiningana toma conta das ruas centrais da cidade
já em fins do XVIII, em meio aos dividendos direta ou indiretamente
trazidos à economia urbana pela prosperidade do quadrilátero
do açúcar e do comércio de tropas entre o Rio Grande
do Sul e Sorocaba.
Nesse sentido, Lemos acaba
por propor também um novo olhar sobre as únicas fotografias
de vistas urbanas paulistanas do início da década de 1860
disponíveis atualmente. Fonte iconográfica privilegiada por
arquitetos e urbanistas para o entendimento das construções
da cidade "de taipa", colonial anterior às transformações
arquitetônicas e urbanísticas que lhe alteraram profundamente
o aspecto físico8 , as imagens
de Militão
Augusto de Azevedo são exploradas pelo especialista enquanto
documentação visual de um "centro urbano paulistano já
maquilado, ou melhor, 'modernizado'" precisamente em fins do XVIII (:
118).
São Paulo, 1862
A relativização
dos marcos históricos da urbanização de São
Paulo não impede, entretanto, que o pesquisador reconheça
o último quartel do XIX como fundamental ponto de inflexão
do desenvolvimento arquitetônico paulistano e paulista. Abordada
no último capítulo do livro, a ruptura histórica que
o ecletismo representa seria produto de um universo residencial impulsionado
por novos hábitos, atividades e mercadorias, novos equipamentos
urbanos e de habitação, em geral importados. Advém
daí o argumento de que "a casa tradicional recebeu entre suas taipas
velhas as novidades do gosto novo. A modernização começou
pelo interior das moradias. De dentro para fora" (p.252).
É pena que, a fim
de corroborar a sua tese principal de que o café e, conseqüentemente,
o ecletismo representam uma completa ruptura na história da arquitetura
paulista, o autor deixe, nesse momento final do livro, pouco espaço
para as ressignificações que sofrem as velhas formas arquitetônicas
e, portanto, concepções socioculturais também
nesse contexto de fins do XIX.
Será que passou mesmo
a vigorar de maneira absoluta um "necessário repúdio" de
"todos" contra as formas arquitetônicas do passado (p.252;
grifos meus)? Será que, desprovido de quaisquer hesitações,
"o pensamento estava de modo premonitório voltado para a funcionalidade
implícita na `máquina de morar'" (ibid.)? Dificilmente. O
próprio arquiteto aponta para o fato de que, ao mesmo tempo em que
desponta no cenário urbano o palacete eclético, multiplicam-se
os cortiços e casas de aluguel, que atestam, em sua arquitetura,
a persistência de velhas distribuições espaciais.
E até o moderno palacete,
em princípio pautado no "morar à francesa", revela ambigüidades
entre o passado e o presente. A velha "faixa de transição
entre o público e o privado" da casa bandeirista, dotada de quarto
de hóspedes, capela ou oratório e um alpendre central, reaparece,
na nova forma residencial da elite cafeeira, mesmo que modificada: o quarto
de hóspedes situa-se no térreo, ao lado do vestíbulo
destinado à recepção das visitas.
A forte presença de
releituras culturais do passado também em um momento tão
pleno de transformações como os "tempos do café" de
forma alguma invalida a tese principal de Lemos. Com efeito, programa,
técnica e partido arquitetônicos passam por enormes mudanças
à medida que São Paulo vai, por meio das bem sucedidas exportações
cafeeiras, se inserindo no mercado internacional capitalista de fins do
XIX. O estudioso alude à introdução de fogões
"econômicos" e de geladeiras nas casas dos mais abastados, ao emprego
de tijolos e à atuação de imigrantes no mercado da
construção civil. São, todas essas, inovações
que por si só atestam mudanças radicais no modo de a sociedade
perceber e vivenciar portanto, conceber arquitetonicamente o espaço
doméstico.
Depois do longo trajeto por
três séculos de São Paulo, o leitor chega às
páginas finais de Casa paulista... encantado. Encantado porque
o pesquisador lhe proporcionou uma incrível viagem imaginária
pelos velhos corredores e alcovas nos quais viveram antigas e, em grande
parte, já esquecidas gerações de indivíduos.
A farta iconografia que acompanha o texto insinua os múltiplos sentidos
de uma história que, de alguma forma, diz respeito a todos nós.
E isso apesar de faltarem as datas de produção de algumas
imagens, o que evoca no leitor a estranha impressão de que as construções
nelas retratadas se situam fora da história.
É necessário
ressaltar que a sensação de proximidade em relação
a um mundo tão longínquo não se deve apenas aos recursos
visuais utilizados pelo autor. Advém do fato de que o arquiteto
parte de paredes de taipa, telhados e varandas para chegar às pessoas
e ao cotidiano que estas vivenciam nesse ambiente físico. Possivelmente
o espaço residencial, nos três séculos em questão,
tenha sido menos marcado pela separação entre "público"
e "privado" categorias sociologicamente significativas no cenário
europeu do que pelo fundamental papel da intimidade, num contexto patriarcal
e escravista fortemente hierarquizado e no qual a esfera pública
definida pela atuação ostensiva do Estado não
existia enquanto tal9.
E, no entanto, marcado ou
não pela privacidade, o fato é que, como mostra Lemos, o
espaço constitui sempre um instigante cenário para o estudo
de um cotidiano e de uma cultura que já não existem mais.
Por meio do espaço, o cotidiano e a cultura que aproximam deste
mesmo espaço. Por meio da Antropologia, a Arquitetura.
Notas
1
Além de professor de arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da USP, Lemos é membro do Conselho Consultivo do Patrimônio
Cultural do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional). Dentre os seus inúmeros trabalhos destacam-se Cozinhas
etc. (São Paulo, Perspectiva, 1978), Arquitetura brasileira
(São Paulo, Melhoramentos, 1978), Alvenaria burguesa: breve histórico
da arquitetura residencial de tijolos em São Paulo a partir do ciclo
econômico gerado pelo café (São Paulo, Nobel, 1985),
História
da casa brasileira (São Paulo, Contexto, 1989), Ramos de
Azevedo e seu escritório (São Paulo, Pini, 1993).
2
Cf. em particular Émile Durkheim, Les Formes Elémentaires
de la Vie Réligieuse, Paris, Quadrige/PUF, 1994 (1a ed.: 1921),
esp. pp. 12-28.
3
Cf. Eunice Durham, "Cultura, patrimônio e preservação.
Texto II", in Antônio Augusto Arantes (org.), Produzindo o passado,
São Paulo, Brasiliense, 1984.
4 Cf. Luís
Saia, A casa bandeirantista (uma interpretação), São
Paulo, Comissão do IV Centenário da Cidade de São
Paulo, 1955, e Morada paulista, São Paulo, Perspectiva, 1972.
5.
Cf. Luís Saia, A casa bandeirantista..., citado por Carlos
A. C. Lemos, Casa paulista..., p. 49.
6
Uma contextualização crítica da produção
historiográfica, em particular, paulistana, centrada nessa crença
encontra-se em Raquel Glezer, "O campo da História", Cadernos de
História de São Paulo, no 1, São Paulo, Museu Paulista
da Universidade de São Paulo, 1992, p. 11.
7
Cf., entre outros, Richard Morse, Formação Histórica
de São Paulo (De comunidade à metrópole), São
Paulo, Difel, 1970 (1a ed.: 1954), e Ernani da Silva Bruno, História
e tradições da cidade de São Paulo. Metrópole
do café (1872-1918), São Paulo, HUCITEC, 1983 [1a ed.:
1954].
8
Cf., entre outros, Benedito Lima de Toledo, "A imperial cidade de São
Paulo vista por Militão", in Benedito Lima de Toledo et alii, Álbum
comparativo da cidade de São Paulo, 1862-1887, São Paulo,
PMSP/SMC, 1981.
9
Sobre as dificuldades teóricas envolvidas na transposição
dos conceitos "público" e "privado" para a compreensão do
contexto brasileiro, cf. José de Souza Martins, "Apontamentos sobre
vida cotidiana e História", in A sociabilidade do homem simples.
Cotidiano e história na modernidade anômala, São
Paulo, HUCITEC, 2000. Sobre a importância da noção
de "intimidade" no Brasil, cf. também Fernando A. Novais, "Condições
da privacidade na Colônia", in Fernando A. Novais (org.), História
da vida privada no Brasil. Cotidiano e vida privada na América Portuguesa,
São Paulo, Companhia das Letras, 1997.
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