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Seminários
de Antropologia Urbana das Ciências
Sociais
A Graduação
em Campo II
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O
evento A Graduação em Campo II:
Semináriosde
Antropologia Urbana dasCiências
Sociais, em sua segunda edição, este ano será
realizado nos dias 10, 11 e 12 de novembro. Trata-se de uma iniciativa
do Núcleo de Antropologia Urbana e seu objetivo é valorizar
o trabalho de campo realizado em algumas disciplinas de Antropologia no
curso de Ciências Sociais da FFLCH/USP.
A
idéia original de organizar esse seminário surgiu, como foi
dito na apresentação do Caderno de Resumos do ano passado,
"da necessidade de divulgar mais amplamente os trabalhos de conclusão,
geralmente apresentados apenas aos próprios colegas no final
do curso e que não raro terminam confinados em alguma gaveta
da sala do professor". A costumeira correria do final de semestre termina,
desta forma, dificultando a necessária discussão dos resultados
obtidos, das estratégias metodológicas escolhidas,
das dificuldades encontradas na prática do trabalho de campo.
Ademais,
a divulgação das pesquisas num evento especial constitui
não apenas o justo reconhecimento dos trabalhos que mais se
destacaram, como também é incentivo para a continuidade
da reflexão, tanto para seus autores como para os colegas. É
de todos conhecida a premência dos prazos nos programas de
pós-graduação para conclusão de teses e dissertações,
de forma que quanto antes começar a experiência sistemática
de campo e o debate sobre ele, melhor será o aproveitamento posterior.A
novidade deste ano será a divulgação, não apenas
do seminário e dos resumos mas também dos próprios
trabalhos no site do Núcleo de Antropologia Urbana. É
mais um espaço disponível para tornar público o trabalho
que aqui realizamos, alunos e professores.
São
Paulo, novembro de 2003.
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POLICIAMENTO
COMUNITÁRIO: a experiência da Polícia Militar no Estadode
SãoPaulo
Paula
Nascimento da Silva
O
aumento dos números da violência, o abuso da autoridade pelos
policiais, acontecimentos como o "Massacre no Carandiru", em 1992, e o
caso da "Favela Naval", em 1997, colocaram em xeque a eficiência
das estratégias tradicionais de garantia de segurança pública
e forçaram o debate entre polícia militar e sociedade civil
sobre alternativas de combate à violência. Dentro deste contexto,
surge a iniciativa de implantação do projeto Policiamento
Comunitário como uma nova estratégia e filosofia de trabalho,
com práticas mais "brandas" que enfatizam a cooperação
entre policial militar e a comunidade para a identificação
e resolução dos problemas locais. Neste trabalho, é
apresentada uma breve descrição e análise da trajetória
das políticas estaduais de segurança e a pressão da
opinião pública que levaram à adoção
de projetos de reforma da Polícia Militar durante este período
particularmente conturbado. São apresentados, também, alguns
tópicos da discussão sobre os principais problemas que decorrem
da relação entre policiais e comunidade, baseados em conversas
informais e entrevistas realizadas com policiais militares entre os meses
de abril e junho de 2003.
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TEM
SOLDADO NO PEDAÇO
João
Branco, Lara Mesquita, Melina Rangel, Olivia Gonçalves Janequine
E Otávio Albuquerque
Localizado
na avenida Corifeu de Azevedo Marques, próximo ao Rio Pequeno, o
Jardim São Remo faz divisa, de um lado, com o campus da Cidade Universitária
e, do outro lado, com o 5° Comando e o 16° Batalhão da Polícia
Militar de São Paulo. A priori, nosso objetivo central era descobrir
os liames de sociabilização existentes entre os moradores
da favela e os policiais ali presentes, tanto em incursões diárias
ao ambiente de suas casas (como vemos ao longo do trabalho é um
espaço muito maior do que as paredes do barraco e compreende parte
da rua) e a constante presença do Batalhão, promovendo treinamentos
de tiro já pela manhã, logo ao lado da favela. Descobrir
se para o morador da São Remo acordar com barulho de tiros é
fácil, difícil ou indiferente talvez não fosse bem
a nossa tarefa e sim perceber qual é o significado do Batalhão,
dos tiros e dos policiais militares naquele local, levando em consideração
também a proximidade de uma das maiores universidades públicas
da América Latina e a construção de um muro para separar
a comunidade científica da favela.Para isso, além de passeios
no Jardim São Remo, o grupo fez amigáveis visitas ao quartel
vizinho, no intuito de entender as visões e a atuação
do 16° Batalhão com relação à favela vizinha.
No final das contas a pesquisa não se realizou por completo, uma
vez que apesar de descobrir que atividades o quartel passou a desenvolver
com as crianças da São Remo que pulavam o muro divisor, não
foi possível ainda saber se os moradores da São Remo encontraram,
ou têm meios de encontrar, outro modo de organizar as incursões
da polícia em sua moradia.
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Arthur
Oliveira Bueno
A
participação de torcidas organizadas de futebol em desfiles
carnavalescos tem sido bastante controversa, provocando muitos desentendimentos
entre as pessoas mais atuantes das escolas de samba paulistanas. Partindo
dessa constatação, esta pesquisa trata das relações
de reciprocidade e conflito que se estabeleceram no carnaval de São
Paulo após a formação de blocos carnavalescos por
torcidas organizadas. A pesquisa observou, principalmente, como estas últimas,
ao passarem para um universo do qual originalmente não faziam parte,
introduziram uma forma diferente de lidar com as agremiações
concorrentes, assim como os novos códigos que colocaram em risco
representações correntes nesse meio. A análise de
tal questão foi construída com base na comparação
das lógicas concorrenciais e dos habitus envolvidos nos dois
universos sociais -carnavalesco e futebolístico-, e na verificação
de como essas lógicas e habitus
são
sobrepostos e agenciados em dois níveis: tanto no interior das agremiações
situadas entre os dois mundos (como a Gaviões da Fiel) quanto externamente,
na relação dessas entidades com outras que atuam no
carnaval.
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UMA
EMBAIXADA ESTUDANTIL EM OURO PRETO
Nathália
Guimarães Von Krüger e Paula Moura Lacerda de Souza
Em
meio ao cenário colonial de Ouro Preto surgem, como outro elemento
tradicional da cidade, as repúblicas estudantis; expressões
de um modo de organização baseado na hierarquia. Forma de
ordenação social que se define por meio de relações
de reciprocidade desiguaism, tal realidade foi tratada, a partir de uma
república estudantil -a Consulado-, cujo sistema ordenador se estabelece
ao longo das várias gerações de estudantes que por
ali passaram. Este sistema hierárquico, com suas formas de representação
(trote, apelidos, rituais de iniciação) será abordado
visando mostrar como tal ordem geral se institucionaliza ao longo do tempo
e como se ressignifica diante das transformações do mundo
contemporâneo.
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O
USO SIMBÓLICO DA MACONHA
Fábio
Lyra e Juliana de Miranda Coelho
Este
trabalho apresenta uma tentativa de inserir a discussão sobre o
consumo da maconha, tão em moda na nossa sociedade contemporânea,
num olhar mais próximo e intimista. Realizando entrevistas com um
pequeno grupo de usuários e dando-lhes a oportunidade de falar sobre
a sua relação com a droga, pretendemos não apenas
colocar uma luz sobre a construção que é simbolicamente
realizada pelos usuários a respeito do prazer de seu uso, como também
explorar de que modo tal atividade se dá dentro de uma problemática
maior de luta entre grupos ou indivíduos para legitimarem suas interpretações
a respeito do mundo e o que isso pode revelar a respeito do indivíduo
moderno em sua busca para se construir e reconhecer como sujeito portador
de uma identidade e engenheiro de sua existência.
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OS
VELHOS TAMBÉM DANÇAM - uma abordagem antropológica
sobre o corpo na velhice
Daniela
Perutti, Rafael Soares de Barros e Sofia Farah
Esta
pesquisa - realizada entre os idosos freqüentadores do Centro de Referência
do Idoso de São Paulo, localizado em São Miguel Paulista
- teve como objetivo analisar a questão do corpo na velhice sob
três aspectos: como experiência subjetiva dentro dos espaços
de sociabilidade entre idosos; nas relações que ele estabelece
com o outro não idoso e como meio pelo qual se exprime a memória.
Apesar de parecerem aspectos um tanto amplos, eles dizem respeito a apenas
uma questão, central no projeto apresentado: a de que o corpo na
velhice, por mais que esteja profundamente marcado por processos fisiológicos,
considerados do âmbito da natureza, é antes de tudo um corpo
repleto de símbolos, de marcas sociais. Para abordar estas questões
optamos por dois ambientes específicos freqüentados pelos idosos:
o Baile da Terceira Idade, que nos permitiria uma observação
etnográfica, e o grupo Conversas e Memórias, onde pudemos
entrar em contato com o discurso do idoso sobre a relação
com o corpo na velhice e confrontá-lo com aquilo que observamos
no baile.
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OS
JAPONESES E O STREET DANCE
Paula
Wolthers de Lorena Pires e Renata de Toledo Rodovalho
Este
trabalho teve como objeto de pesquisa grupos de jovens nipo-descendentes
que se reúnem aos sábados para a prática de street
dance no complexo do Banco Itaú, próximo à estação
Conceição do Metrô. Exploramos seus processos de sociabilidade,
sua constituição e processo de construção de
identidade, isto é, como um grupo que se distingue e se reconhece
na metrópole, trazendo uma reflexão sobre os modos de ocupação
da cidade como um local de diversidade e encontros. Questões como
etnia, entre outras, também surgiram no decorrer das visitas a campo
e foram abordadas indiretamente, conforme a necessidade e relevância.
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DEFICIENTES
VISUAIS NO CINEMA - uma outra compreensão do lazer e da imagem
Reinaldo
Cardenuto Filho e Márcio Aparecido dos Santos
O
trabalho apresenta uma reflexão sobre os deficientes visuais que,
mesmo sabendo que o cinema é considerado, historicamente, um lazer
somente para quem enxerga, optam por uma sociabilidade que envolva o ato
de assistir a filmes. A pesquisa foi trabalhada, portanto, em duas chaves
complementares: a da sociabilização, estudando a importância
do cinema como lazer cotidiano para essa comunidade, e o da percepção
mental, propondo algumas classificações para a compreensão
da relação entre a imagem audiovisual e o espectador com
cegueira, seja ela congênita ou adquirida.
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MOTOBOYS
NA CIDADE DE SÃO PAULO
Augusto
Stiel Neto, João Mutaf e Silvia Avlasevicious
O
motoboy
constitui uma nova categoria de trabalhadores na cidade de São Paulo.
Desde o final dos anos oitenta e através da década de noventa,
os motociclistas profissionais cruzam a cidade diariamente em meio ao trânsito
caótico. Enquanto novos atores sociais, sua maneira de agir, de
constituir seu espaço, de se portarem enquanto grupo, pode dizer
muito sobre os mecanismos de interação social da metrópole,
bem como suas fronteiras e limites internos, muitas vezes ditados por regras
em constante mudança e adaptação. Na relação
cotidiana do trânsito em São Paulo, as noções
de público e privado, bem como a noção de inclusão,
se manifestam de forma privilegiada. Palco por excelência das relações
sociais mediadas pelo veículo individual, o trânsito revela
com clareza o modo pelo qual a sociedade se organiza, mesmo que tal revelação
se dê ao inverso, na imagem distorcida do espelho retrovisor que,
ao mesmo tempo que mostra ao motorista a presença inovadora de um
novo elemento nos interstícios do espaço social, devolve
também sua própria imagem e refaz a relação
complicada que se dá na cidade, onde a disputa por espaços
físicos revela de que modo como se organizam as relações
sociais na metrópole.
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EMPREGADAS
DOMÉSTICAS E PATROAS
Gabriela
Renata R. dos Santos, Patrícia Lagun Mesquita e Rafaela de Andrade
Deiab
Esta
pesquisa toma o trabalho doméstico como uma instituição
brasileira que é problematizada em torno das relações
entre público e privado: a rua e a casa. Para tal, busca compreender
como essa instituição se forja e reinventa ao longo dos diversos
momentos de nossa história. A relação com o mundo
do trabalho escravo doméstico é trazida à tona por
pistas descobertas na etnografia, tal como as falas de domésticas
presidentes de sindicato e patroas. Um quadro de classificações
nativas e uma etnografia da relação empregadas domésticas
e patroas de São Paulo foram realizados a partir de entrevistas
feitas com uma agência de colocação de empregados domésticos,
o Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São
Paulo (SEDESP), o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município
de São Paulo (STDMSP), empregadas domésticas e patroas.
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CANTITO
BOLIVIANO
Jorge
Maurício Acuña Herrera, Majoí Fávero Gongora
e Nadja Woczikosky Marin
Esta
pesquisa se propôs a estudar um pequeno pedaço da cidade de
São Paulo, a praça Kantuta, no bairro do Canindé,
que se constituiu como espaço de encontro e troca de um grupo de
imigrantes bolivianos. Nesta praça, aos domingos, há uma
feira que aglomera em torno de si um número significativo de imigrantes
bolivianos, residentes legais e ilegais, que habitam e trabalham nos bairros
circunvizinhos como Brás, Bom Retiro e Pari. Buscando reconhecer
neste local um espaço de construção e reconstrução
de identidades, práticas culturais e também de fortalecimento
de redes de relações muito características deste público,
percebemos como este cantito, apesar de estar inserido no contexto
metropolitano, distingue-se por certos traços que lhe conferem singularidade.
A praça Kantuta surge, aqui, como personagem central desses processos
de criação e de recriação de identidades na
medida em que possibilita o trânsito e o intercâmbio de pessoas,
informações, mercadorias, idéias e imaginários
sociais.
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