O
artigo aborda tema atual de saúde mental, em um cenário de
tendência de reversão do modelo hospitalar, para uma ampliação
significativa da rede extra-hospitalar, de base comunitária e territorial
– promotora da reintegração social e da cidadania - tendo,
como objeto de estudo, trajetórias empregadas no cotidiano das relações
sociais de sujeitos que enfrentam o adoecimento psíquico, no espaço
de uma cidade de porte médio. Com o propósito de compreender
o sofrimento e de refletir a respeito da atenção psicossocial
necessária, articulando sofrimento psíquico e espaço
público, apresenta reflexões possibilitadas pelo acompanhamento
de trajetórias de cinco sujeitos em sofrimento psíquico severo,
em sua vida cotidiana. Propõe-se explicitar às instituições,
que constituem o sistema de gestão de atenção à
saúde mental, a importância da articulação do
espaço público ao trabalho institucional, voltado para cuidar,
incluir e humanizar a atenção nessa área.
Neste
estudo, o sofrimento psíquico – “doença mental”, em psiquiatria
- é entendido na dimensão da complexidade, em conformidade
com o pensamento de
Morin e Le Moigne: “O simples
é sempre simplificado (...), mas tão grande é a tentação
da clareza rápida (...), que esquecemos que não existem fenômenos
simples, (...) porque uma idéia simples deve estar inserida para
ser compreendida num sistema complexo de pensamentos e de experiências.”
(p.251).
Essa
categoria pode ser compreendida como uma manifestação de
características psíquicas, que ocorre na vida da pessoa,
e que envolve um conjunto de elementos que a constitui, seja de ordem orgânica,
psíquica, social, cultural, religiosa, filosófica ou econômica.
Esse tipo de manifestação repercute na história de
vida pessoal, familiar e na rede de relações interpessoais,
transcendendo, assim, os momentos pontuais, que caracterizam uma situação
específica de "crise”, ou seja, a doença mental insere-se
em um campo de conhecimento complexo.
Como
a “doença” é parte da história do sujeito e pode manifestar-se
em qualquer tempo de sua vida, faz-se necessário observar que ela
não o desloca totalmente, tornando a vida um mal constante, ou um
rol de fracassos e limitações, em outras palavras, a pessoa,
ainda que vivendo essa condição, é portador de saúde
mental e/ou um potencial para lidar com adversidades, que a ela se apresentem.
Talvez, a negação das contradições, que o homem
enfrenta consigo mesmo, tenha nos afastado da busca de "métodos"
de intervenção, que possibilitem a descoberta das positividades,
como fios que nos conduzam a uma aproximação com o mundo
do sofredor psíquico, para nós, hermético e diferente.
Há
uma dinâmica, que se estabelece no processo das relações
e em seus desdobramentos, para a qual sentimo-nos desafiadas a olhar -
ainda que de forma limitada -, no sentido de compreender os mais diversos
aspectos que configuram a vida cotidiana, e que nos mostram sujeitos singulares
em seus contextos. "Cada um representa vários papéis sociais,
segundo o que é na sua casa, no seu trabalho, com amigos ou com
desconhecidos. Vê-se que cada ser tem uma multiplicidade de identidades,
uma multiplicidade de personalidades nele próprio, um mundo de fantasmas
e sonhos que acompanham a vida" (Morin, p.83-4).
Com
vistas à compreensão dessa condição humana,
a partir de outras leituras possíveis, recorremos a Morin
que, ao propor o "pensamento complexo", opõe-se à forma reducionista
e determinista de interpretar a realidade, de modo a provocar disjunção
e redução na construção do pensamento, separando
o sujeito do objeto, a alma do corpo, o sentimento da razão, a existência
da essência, gerando a produção de conhecimentos especializados,
fragmentados e parcelados, no sentido de dificultar a re-ligação
do sujeito com o universo que o rodeia. Este é um pensamento consoante
com o ocorrido, de forma predominante, no campo da saúde mental,
a exemplo de olhares reducionistas, associados a uma cadeia linear de causa-efeito.
Segundo
o pensamento complexo, o problema "não é reduzir nem separar,
mas diferenciar e juntar”. O problema chave diz respeito a um pensamento
que una, chamando a agregar, aos pilares do pensamento científico
(ordem, separatibilidade e razão), um pensamento que comporte, em
seu interior, um princípio de incompletude, de incerteza, de sensibilidade.
Nesse sentido, há que se considerar diferentes aspectos de um mesmo
fenômeno, entendendo que o ser humano, integrante do cosmos, está
interligado a um emaranhado de relações, que não podem
ser tratadas isoladamente, uma vez que se nutrem mutuamente.
Esse
pensamento possibilita, também, o entendimento de que, nessa interação,
a pessoa em sofrimento psíquico recebe fortes influências
do campo social, por questões "instituídas" e que, ao mesmo
tempo, retroage sobre essas determinações, imprimindo-lhes
singularidades.
Dessa
forma, pensar o doente mental, com base em uma construção
individual ou individualista do mundo, não oferece meios para ultrapassar
os valores da norma, da simplificação de um processo que
se constituiu de um emaranhado complexo, “[...] é perder a riqueza
dos elementos que se entrecruzam e se entrelaçam para formar a unidade
da complexidade de um sujeito que vive uma condição humana,
destruindo a variedade das complexidades que o teceram” (Morin,
p.188).
Esse
pensamento desafia, ainda, a unir/integrar, de modo complementar, questões
antagônicas–consenso/conflito, lógica/estranhamento, inclusão/exclusão,
autonomia/dependência, ordem/desordem – indissociáveis e indispensáveis
– para a compreensão da realidade, como um jogo incessante e incerto,
com múltiplas lógicas: um caráter dialógico
(Morin e Le Moigne, p.204). Assim, quando consideramos
duas maneiras de os serviços de saúde abordarem o sujeito
com sofrimento mental - a manicomial (fechada) e a comunitária (aberta)
-, estamos diante de um exemplo de relação organizacional
dialógica, na mesma instituição. De outro modo, a
partir do campo de pesquisa, percebemos que diferentes práticas
terapêuticas são, freqüentemente, acionadas por familiares
de sujeitos em sofrimento psíquico, compondo um conjunto de recursos,
também, de caráter dialógico.
Essa
forma de pensamento está apta "a reunir, contextualizar, globalizar,
e, ao mesmo tempo, reconhecer o singular, o individual, o concreto" (Morin
e Le Moigne, p.213), possibilitando a construção de uma
complexa teia de relações. Os movimentos na vida cotidiana
dão-se por meio dessas redes, entre diversos sistemas sociais, em
diferentes domínios de conversação que, apesar de
independentes, afetam-se mutuamente. Há, dessa forma, uma re-ligação
entre os elementos que dão sentido àquilo que Morim chama
de complexus, entendendo-se, por esse fenômeno, aquilo que
se "tece junto". Neste sentido, pensar a complexidade é pensar um
tecido (relações sociais e interpessoais), em que os fios
paralelos não são apenas presos com amarras, confundindo-se,
mas ligados, transversalmente, por uma trama (dinâmica das
relações e ações), que os liga e religa, movimentando,
novamente, todos os fios, e construindo uma outra textura, uma outra estampa
(novas dinâmicas, novos encontros intersubjetivos).
Embora
vivamos as incessantes tentativas de eliminar incertezas, o indeterminado,
o impreciso, somos por eles surpreendidos, como é o caso do adoecimento
psíquico (que pode ser considerado um ruído, nos termos
de Morin) e por tantos outros, que acompanham o cotidiano. Diante disso,
há necessidade de negociações (com essas incertezas),
na perspectiva de construir pontes, mesmo que provisórias que permitam
um ir e vir, reconstruindo, no cotidiano, novas formas de lidar com a vida,
sem que essas situações constituam, necessariamente, uma
fatalidade, como dá a entender expressões recorrentes, a
respeito de nossos interlocutores pesquisados: coitado, endoidou! Não
tem cura!
Etnografia
do sofrimento: contribuições de um método para a compreensão
do complexo mundo psíquico
Dada
à natureza do objeto de pesquisa, procuramos um caminho que pudesse
explorar as interações cotidianas e nos guiar nesse desconhecido
emaranhado, que é o da “loucura”, procurando compreender o sofrimento
e a própria assistência. Recorremos à antropologia,
em particular a etnografia, para compreender o modo de vida dessas pessoas,
circulando em espaços abertos, com a hipótese de que, se
existe uma lógica típica de serviços de saúde,
existe uma outra, na prática cotidiana dos sujeitos em sofrimento
psíquico, que resulta em uma produção singular, constituída
de redes de sustentação, de referências, construídas
a partir de suas relações interpessoais, e, com isso, vislumbrar
outras possibilidades, novos itinerários terapêuticos para
pessoas que adoecem mentalmente, para além daqueles que se limitam
ao percurso da institucionalização.
Para
seleção dos sujeitos participantes do estudo, o ponto de
partida foi o levantamento de internações psiquiátricas
de moradores de um bairro da cidade, nos últimos anos, fornecido
pela Secretaria de Saúde, após ter sido identificado como
área que apresentava elevados índices de internações,
por transtornos psíquicos. Em seguida, fomos sistematizando outros
registros - observação direta, conversas informais, visitas,
relatos de vizinhos, sobre quem eram os reconhecidos, na dinâmica
social do bairro, como "doentes mentais". Aos poucos, procedemos às
primeiras aproximações com esses sujeitos e seus familiares,
na busca de reconhecer rotinas, assim como com os demais moradores, identificando
expressões e manifestações peculiares, relacionadas
aos distúrbios psíquicos, vivenciados por aqueles, no espaço
urbano.
Descrições
iniciais do bairro permitiram observar que o “doente mental” vive um conjunto
de rupturas internas, expressando comportamentos problemáticos que
o descentram, tornando-o um estranho para si mesmo, e que famílias
e vizinhança, em alguma medida, vinculam-no com o antes, com sua
história de vida pessoal e familiar, de modo a (re)estabelecer conexões,
que possibilitam não romper, radicalmente, com a identidade anterior:
do
bom rapaz, do trabalhador, do vizinho. Fica evidente que todos convivem
com as dificuldades, decorrentes de sua condição de adoecimento,
mas não se restringem a viver essa situação, nem têm
presente, o tempo todo, essa "sintomatologia".
Composto
o repertório, aproximamo-nos do ponto de vista dos moradores. Cruzando
informações e, por meio das observações, fomos
selecionando os possíveis participantes, fase longa e trabalhosa,
que só interrompemos, ao percebermos uma espécie de recorrência
no conjunto das informações. Então, buscamos estabelecer
mediações entre o nível de experiência dos sujeitos
(relações sócio-culturais-afetivas) e os processos
mais abrangentes, de modo a obter algum ordenamento. Partimos com um aporte
teórico, ressignificado, diante do nosso objeto de estudo e da organização
do espaço urbano, adotando categorias empregadas por Magnani
– circuito, trajeto e pedaço – resultados de etnografias
realizadas pelo autor e que demonstraram a existência de uma articulação
nas relações, no que se refere à lógica de
uso e apropriação dos diferentes espaços e equipamentos
urbanos.
Nessa
fase da pesquisa, identificamos relações mais objetivas desses
sujeitos com instituições, que oferecem tratamento, especificamente,
o circuito ligado à atenção à saúde
mental, que deu base geral para compreender as práticas terapêuticas
mais utilizadas por moradores e, de forma mais visível, no campo
institucional: serviços de saúde geral (pronto atendimento,
hospitais gerais, farmácia pública), serviços de saúde
mental (hospitais psiquiátricos e serviços de atenção
diária), além de outros "apoiadores" institucionais (promotoria
e defensoria pública), os quais ganham visibilidade na rede de proteção
dos direitos dessas pessoas, sendo utilizados, principalmente, para garantir
o acesso a bens e serviços de saúde.
Posteriormente,
aprofundamos os trajetos de cinco personagens “típicos”,
identificados, no local, como pessoas que vivem a experiência do
sofrimento psíquico grave, constituindo a população
de estudo.
Trajetos
expressam dinâmicas sociais, relacionadas aos modos de ser e de viver
no espaço do bairro, e ajudam a compreender como seus habitantes
enfrentam as especificidades de situações locais. Assim,
trajetos são entendidos como escolhas construídas
e conquistadas no entrelaçamento das dimensões individuais
e sociais, que indicam que circunstâncias (pessoas, situações,
lembranças) trazem-lhes suporte para se apropriarem de espaços,
interagirem com pessoas, produzirem situações desejadas,
Cartografamos os percursos desses sujeitos que, segundo sua condição,
vão produzindo distintos caminhos, constituídos de determinadas
redes (sociais, afetivas, de serviços de saúde), os quais
foram ganhando forma e sentido, ao longo do trabalho, a partir da observação
e relato dos próprios sujeitos da pesquisa.No entanto, ocorrem,
também, nos entremeados desses percursos, as "não-escolhas"
– situações não protagonizadas, nem desejadas por
eles –, mas que estão instituídas e presentes, ao mesmo tempo,
em suas vidas. Esse tensionamento de sujeitos, em certas situações,
e de sujeitados, em outras, ora construindo "brechas de fuga", ora se rendendo
ao que já não vem mais ao encontro de suas necessidades,
aparece vivo e pulsante nas inter-relações cotidianas, expressando
eficácia simbólica e social.
Os
participantes do estudo – Beija-Flor, João-de-Barro, Bem-Te-Vi,
Pomba-Rola e Sabiá – tiveram os nomes substituídos por codinomes
de pássaros regionais, para manter o anonimato dos mesmos:
Beija-Flor vivia
entre “a captura e a liberdade”, pois passava metade do tempo internado
em hospital psiquiátrico, sem o seu consentimento, e sem uma justificativa
pautada no agravamento do seu problema de saúde, mas, antes, para
aliviar a família, sob o suposto argumento de que na rua “se envareta
fácil e arruma encrenca”, correndo o risco de se ferir. Na rua,
pudemos identificar a composição de diversos cenários
(reais e imaginários), que lhe possibilitavam dar novos sentidos
à vida.
João-de-Barro
tinha uma relação muito intensa com instituições
de saúde; então, buscamos compreender a leitura que fazia
de cada uma delas, para entender, sobretudo, como resistia e enfrentava
o jeito dominante, impregnado nos serviços, que fazia calar a sua
voz.
Bem-Te-Vi vivia entre
duas instituições: uma pensão “protegida” e o Centro
de Atenção Psicossocial (Caps), ambas dotadas de regras bastante
restritivas; apesar disso, sabia tirar proveito de situações
que o vitalizavam, especialmente, das atividades delegadas pelas instituições
e, ao mesmo tempo, cavadas, por ele, na rua.
Pomba-Rola, após
uma longa trajetória de luta para se aliviar da “doença”,
que a afastou dos projetos de vida – trabalho, namoro, família –,
restringiu seu espaço sócio-afetivo aos limites domésticos.
Sabiá vivenciou,
mais recentemente, o impacto do adoecimento psíquico, as situações
de crise, o que nos possibilitou compreender melhor as repercussões
dessa condição na sua vida familiar, afetiva e social.
Assim,
fomos captando as dinâmicas e constituindo os trajetos. Este estudo
cumpriu os princípios éticos para pesquisa, que envolve seres
humanos, tendo sido aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa
da FSP/USP.
As
tramas da loucura: das instituições de saúde
aos espaços da cidade
Ao
longo da pesquisa, aspectos pouco visíveis foram ganhando evidência.
De um lado, a organização e dinâmica urbana desloca-se
do uniforme e homogêneo, para dar lugar a um complexo sistema de
equipamentos e recursos, conferindo sentidos diversos a seus moradores;
do outro, as instituições de saúde se constituem em
“tortuosos” caminhos, norteadas por visões e percepções,
muitas vezes, distintas das de seus usuários.
Ao
nos aproximarmos das relações sociais e interpessoais, vividas
por esses sujeitos, constatamos que suas interações e comportamentos
sociais estavam diretamente relacionados aos espaços freqüentados
por eles, tornando suas dinâmicas muito distintas, fazendo-nos perceber
duas grandes cartografias: a das instituições de saúde
e a do bairro.
No
âmbito institucional, sobretudo, hospitalar, as limitações
tomavam uma dimensão grandiosa, a gravidade parecia acentuar-se:
era o lugar do “fantasma da doença”, da pouca personalização,
das incapacidades. No bairro, compreendido pelo espaço doméstico
e pela rua – embora nesta, os ganhos se tornassem mais visíveis
–, apesar das dificuldades e limitações, os sujeitos mantinham
contatos importantes, encontravam saídas mais flexíveis.
Aí, salientava-se um sujeito que, mesmo reconhecido por suas diferenças,
preservava desejos e criava possibilidades, envolvendo-se em diferentes
situações, na busca da construção de sua história.
A instituição, dotada de rotinas e protocolos, para intervir
sobre esse sofrimento humano, vai tornando o sujeito “paciente”, passivo
e, muitas vezes, despojado de seus direitos e investimentos simbólicos.
Em contrapartida, a rua, embora tenha regras, permite o exercício
da liberdade, da negociação, da convivência, pautando-se
mais pela vida do cidadão.
São
duas paisagens, que oferecem recursos distintos, embora se entrecruzem
e se aproximem, em muitos momentos da vida dos protagonistas, em face da
concepção de “doença mental”, oriunda da psiquiatria
- discurso competente - dominante no circuito da atenção
à saúde mental e disseminada no âmbito das famílias
e da população do bairro.

As
delimitações do bairro compõem uma modulação
do espaço público, análoga ao que Magnani
denominou pedaço, em que são desfrutadas relações
mais intensas desses sujeitos. Observa-se uma lógica de uso, que
torna alguns locais diferentes de outros, ou seja, não se trata
de qualquer espaço público. Trata-se de um espaço,
nas proximidades de suas residências e, por vezes, de serviços
de saúde, onde encontram diferentes formas de apropriação,
construindo pontos de apoio, quer para o desenvolvimento da sociabilidade,
do trabalho, de negociações, do exercício dos direitos,
quer para dar vazão àquilo que ficou fragilizado, ou cristalizado,
com a vinda do sofrimento psíquico, e para o qual não encontram
saída satisfatória em outros espaços. Situação
semelhante foi desvendada por Magnani, em etnografia
sobre os surdos na cidade de São Paulo, quando observou que, em
uma visão universalizante, eles eram tratados como deficientes;
enquanto que, em espaços próprios e mais intensos de contato
entre pares, aprimoravam seu principal elemento distintivo, a línguagem
de sinais, e, com isso, a própria possibilidade de se desenvolverem,
tornando-se, apenas, diferentes. Esse olhar contribuiu, em nosso universo,
para relativizar noções generalizadoras, a respeito do grupo
estudado, tais como a periculosidade, a incapacidade e a exclusão.
Se
a história da psiquiatria foi mostrando que os loucos precisavam
ser retirados da sociedade, por não conseguirem seguir as regras
mínimas de convivência, ou, ainda, porque obstaculizavam o
desenvolvimento econômico, podemos fazer um contraponto com a história
vivida por nossos protagonistas no bairro. Do ponto de vista do trato com
a cidade, podemos dizer que eles não se mostram sem rumo, nem perturbam
a convivência. Ao contrário, vivem fraternalmente e se apropriam
da cidade de tal maneira, que podem, não só nela viver, como
ainda estabelecer estratégias de vida, de reforço de suas
referências, de escolhas, o que torna esse pedaço um exercício
vital para enfrentar outros momentos da existência. Paradoxalmente
à história da psiquiatria, que construía serviços
para “proteção” dessas pessoas, o que observamos é
que, salvo uma ou outra situação mais delicada, espaços
públicos fornecem elementos mais consistentes de proteção,
uma vez que permitem equacionar a subjetividade e o desejo, no contexto
das relações sociais.

Limpar
jardim, comprar mercadorias, descobrir maneiras de interagir com pessoas
e instituições, conseguir e desenvolver um trabalho, fazer
amizades, descobrir direitos, obter remédio, sentir-se defensor
do bairro, amigo do policial, namorar, ir à missa, dar bronca em
um desafeto, brincar com uma criança, acompanhar o movimento da
cidade, e tantas outras situações instauradas no espaço
público, são estratégias dotadas de fundamental
capital afetivo e simbólico, que alimentam esperanças, fazendo
com que o desejo, ou o desamparo, possa encontrar meios de se exprimir.
É, principalmente, no pedaço do bairro que os protagonistas
podem exercitar e construir, com cada um dos fragmentos encontrados, os
vínculos identitários, que fazem a sua própria sustentação.
São espaços em que se tornam mais potentes e protegidos,
para estabelecerem relações de troca, diante da sensação
de perda do senso de continuidade de suas identidades, constantemente ameaçadas.
Como
exemplo emblemático da relevância desses espaços, registramos
a diferença dos universos de dois protagonistas: Beija-Flor e Pomba-Rola.
Enquanto ele se absorve na rua, durante todo o tempo possível, ela
vive, quase exclusivamente, dentro do ambiente doméstico, limitando
seu universo de trocas e possibilidades, com isso, aumentando sua dependência
em quase todos os aspectos da vida – expressão dos limites de quem
perdeu a esperança equilibrista de encadear seu mundo ao mundo social
–, pela presença do sofrimento, tratamentos baseados na institucionalização
e na medicalização. Embora possamos pensar que, no caso de
Pomba-Rola, a “rua vai para dentro da casa”, por meio de uma família
extensa, que a visita periodicamente, essas relações, mediadas
por “aqueles que trazem”, não têm a mesma riqueza da experiência
dos que dela se apropriam.
Por
outro lado, quando esses espaços se distanciam, ou se conectam com
pessoas de fora, as diferenças ficam mais sensíveis e as
relações podem ser vistas como ameaçadoras, excludentes
e desestruturantes, silenciando suas vozes e requerendo outros comportamentos
e estratégias. Isto pôde ser percebido, por exemplo, na relação
com a escola, que não aceitou o candidato a aluno, quando o identificou
como “doente mental”, ou no motorista do coletivo urbano, que deixava Beija-Flor
no ponto de ônibus, por se tratar de uma pessoa “cambaleante”. Quando
as relações passam a ser mediadas por instituições
de saúde mental (e aparato em torno delas). Essas relações
se “artificializam”, ou melhor, institucionalizam-se, de modo a deixar
pouco do que é propriamente do sujeito, de alguém que necessita
de suportes terapêuticos “continentes” e consistentes, para que a
saúde se faça possível. Mais do que isso, a produção
subjetiva sofre uma captura, salientando-se, no estabelecimento das terapêuticas,
aquilo que pode ser regido pela norma e pelos padrões, definidos
a
priori.

Cartografando
as trajetórias nas instituições, do circuito da saúde,
percebemos que, à primeira crise, há endereçamento
para o sistema psiquiátrico tradicional (Hospital Psiquiátrico)
– o batismo à institucionalização - realizado por
profissionais de diferentes serviços da cidade e, com o passar do
tempo, pela própria família. Cada serviço de saúde
contribui, à sua maneira, para que o sujeito chegue a situações
de extrema gravidade e tenha como destino, o hospital psiquiátrico;
ou seja, à medida que restringem o acesso, não trabalham
sua base territorial, desconhecem as pessoas e os problemas de saúde
de sua região e não pensam projetos articulados, reiteram
o sofrimento e a exclusão. A família, por desconhecer outras
possibilidades, e sem suporte terapêutico, que alivie sua sobrecarga,
não escapa da lógica instituída, naturalizando a institucionalização,
caminho inevitável para situações psíquicas
tão diversas. O hospital psiquiátrico, o único lugar
a receber pessoas em situação de crise psíquica, mantém,
de forma predominante, um conjunto de forças e mecanismos impositivos,
altamente entrópicos, para a complexidade que emerge do sujeito,
dificultando a reestruturação de seu mundo subjetivo, pois,
além de reduzir as chances de expressão, com o “repertório
terapêutico” disponibilizado reforça a necessidade de exclusão
da pessoa, que vive o sofrimento.
Para
nos aproximarmos do sentimento vivido nessas circunstâncias, tomemos
um diálogo, na família de Beija-Flor, acerca da dinâmica
e dos pactos presentes na internação:
(irmão): _ Tu gostas
tanto de sair, por que não queres ir ao hospital? Beija-Flor levanta
o tom de voz e se dirige a mim:
– Se te levarem pra um lugar, te
enrolarem e não te deixarem mais sair, o que tu acha?
O irmão insiste: –mas tu não
queres ir nem nas revisões?
– Revisões, revisões
- retruca Beija-Flor: Já me levaram pra revisão e me deixaram
lá não sei quanto tempo. Nunca vi revisão ter 30,
60 dias.
Beija-Flor
refere-se à hospitalização, com revolta, e continua,
falando mais que todos os presentes: – o hospital é muito sofrido,
porque lá não tem o cara querer alguma coisa. E, neste
momento, bem mais alterado, pede-me: – por favor, será que a
gente podia deixar de falar de hospital, se não eu não falo
mais.
O
que dizer do questionamento perspicaz de Beija-Flor? O que acharíamos
se nos levassem para um lugar, nos enrolassem e não nos deixassem
sair, por trinta, sessenta dias? E, se isso se repetisse três a quatro
vezes no ano? E, ainda, se, na instituição, tivéssemos
que nos resignar com sua dinâmica e fazer silenciar o nosso eu, os
nossos desejos, os nossos direitos, como nos mostrou, também, a
mãe de João-de-Barro, ao relatar o desespero do filho quando,
ao chegar ao hospital, foi impedido de entrar com seus pertences - uma
sacola cheia das coisinhas boas, que ele próprio preparou -,
ou, como o que Sabiá contou sobre o ocorrido com ele, quando um
funcionário: jogou-lhe uma toalha, deu-lhe umas roupas velhas
e amassadas e, depois, colocou-o no colete e na CTI? Destacamos
alguns depoimentos:
Naquele dia, ele foi medicado
no hospital geral e encaminhado pra internação, mas mandaram
pra... (outro município) porque ele tava feio. No dia seguinte ele
próprio foi na Secretaria de Saúde arrumar a vaga, o transporte,
ajeitou tudo. Aí eu fui junto, mas quando chegou lá, quem
disse que ele queria ficar, não queria mais! Lá ele não
podia ficar com nada das suas coisas. (...) Lá foi muito ruim porque
era longe e a visita era só de quinze minutos. A gente gastou mais
de cem reais, eu e a minha filha, e só pudemos ficar com ele quinze
minutos (depoimento de familiar de João-de-Barro).
Pra mim, foi um choque chegar
no... (hospital psiquiátrico). Meio confuso, sem saber por que eu
fui parar lá no meio de toda aquela gente. Me lembro que me mandaram
tirar a roupa, me jogaram uma toalha e me deram umas roupas pra vestir,
mas não roupa de hospital, umas roupas velhas, amassadas (depoimento
de Sabiá).
Quando cheguei, me agitei
porque não sabia que ia ter que ficar lá, aí me botaram
na primeira semana num quartinho fechado. Aí eu enlouqueci mesmo.
(...). É o que eles chamam de UTI. (depoimento de Sabiá).
Esses
“detalhes”, do vivido, são rotinas institucionais, que chamam atenção
para o nosso mundo de “lucidez”, em que o outro da relação
- aquele que vive uma condição, por si, esfaceladora e angustiante,
não participa na condição de sujeito, o que intensifica
seu mal-estar, reforçando, a cada dia, o lugar de (des)valor, de
sujeitado, de menos humano, como se não fizéssemos parte
da mesma condição humana.

Identificamos
que a circularidade e a recorrência, pelo mesmo circuito, resultam
mais da falta de outros itinerários terapêuticos, do que dos
parcos benefícios provenientes dos recursos disponibilizados. A
constatação dominante é a de que a riqueza das trajetórias
cotidianas não consegue abrir “brechas” no conjunto de prescrições,
metodicamente organizadas para “combater a doença”. A reincidência
de internações, por falta de respostas positivas para as
novas exigências que essa situação de vida impõe,
denuncia, traz à tona a precariedade de ofertas, do script da relação
terapêutica, em que os papéis estão dados, determinados
e esperados, sem lugar para a singularidade da vida, como constitutiva
de projetos terapêuticos.
Nesse
campo de tensões, as trajetórias se constituíram,
fazendo com que cada universo singular tivesse marcas e ritmos peculiares,
criados pelas possibilidades de experimentar diferentes espaços.
Nessa construção, não obstante as “não-escolhas”,
sujeitos investem tempo em determinados planos, de significativo valor
social, cultural e afetivo, mostrando que, mesmo em presença do
sofrimento, há sempre a produção de novos mapas existenciais.
Foi
assim que observamos, em Beija-Flor, como a rua permite diversidade para
(re)compor cenários velozes e, por vezes, imaginários do
campo psíquico, dando novos sentidos à existência e
concretizando projetos. Na rua, dá-se o encontro de momentos lúdicos
de um rapaz que, aos quarenta anos, conserva um visual de menino e mantém
desejos de ter amigos, namorada, casamento e trabalho. Nesse cenário,
apreendemos o investimento diário em um modo de existência
masculino, articulando gênero e trabalho, atributos que fazem parte
de sua identificação com os códigos do lugar. O trabalho
se lhe apresenta, não como atividade econômica produtiva,
mas com um caráter de legitimidade social.
Com
Sabiá, presenciamos o desmoronamento de um território psicossocial,
de como o processo inicial de uma crise, seguida de longas e sucessivas
internações, privaram-no de relações sociais
e familiares, aprofundando fissuras no processo de produção
do eu e do mundo. Marcas foram aparecendo, ao olhar para trás, e
perceber as lacunas deixadas por amigos, irmãos, pelas festas, os
quais apareciam, apenas, como registro na sua memória. Retornando
a uma casa quase “vazia”, teve que tolerar um longo ciclo, até a
chegada do inverno, quando a família retorna “ao ninho”, trazendo-lhe,
novamente, o aconchego, a proteção e, com isso, a progressiva
reconstituição de seu território psicossocial e de
sua autonomia.
João-de-Barro
ensinou-nos que a luta e a resistência contra limitações,
oriundas da existência-sofrimento, precisam ser constantes, e dizem
respeito à amplitude da vida. É ele que mais sente o esfacelamento
de sua identidade. De operário, marido, pai, morador da sua própria
casa, passou a ser assegurado, depois, aposentado por invalidez, separado
(da esposa e filho), voltou a morar com os pais e a viver um conjunto de
outros fluxos existenciais. Isso o inquieta, desestabilizando-o emocionalmente,
de forma recorrente, o que tem tornado alguns momentos bastante difíceis,
de grande confusão, e de poucos avanços, em termos de ação
terapêutica. Mas, ele fisga, no contexto problemático que
se delineia, todas as possibilidades que acredita serem benéficas
para sua recomposição, sendo o grande “cavador” do sistema
de saúde, para “manter-se vivo”, e provando que a reivindicação
e a persistência, ainda que, por vezes, pouco toleradas, possibilitam
uma rede mais densa e um lugar mais cidadão. Em seu percurso, merecem
destaque a promotoria e a defensoria públicas que, como ele, perceberam
que as ofertas de saúde mental devem ser acompanhadas de outras
passagens, articulando o mundo subjetivo e o espaço urbano.
Pomba-Rola
expressa os limites de quem perdeu a esperança equilibrista de encadear
seu mundo ao mundo social, pela presença do sofrimento. A convivência
com longos anos de um funcionamento estranho/insólito e a difícil
lida com essa condição humana parecem ter trazido, junto,
o fracasso dos papéis esperados para uma mulher de sua idade: o
namoro, o casamento, a família. Apesar disso, esse é o campo
que permite maior interlocução e sentido à sua existência.
Pomba-Rola explicita a necessidade de se analisarem as questões
de gênero, construídas na vida familiar e social de pessoas,
em situações parecidas à sua.
Bem-te-Vi
vive uma situação peculiar, em relação aos
demais. Mora em uma “pensão”, distante da família biológica,
e faz um grande exercício para alargar suas redes de sociabilidade.
Com a vizinhança, apesar das restrições impostas para
sair de casa, consegue estabelecer relações acolhedoras e
de trabalho, mas é com o serviço de saúde, que se
instaura a grande novidade nesse contexto, ao captar e, em alguma medida,
investir no trabalho de office boy, como abertura para o exterior,
onde reencontra a possibilidade de produzir obras, valor social, afetividade
e liberdade.
Esses
percursos revelam um entrecruzamento de temas, que expressam o desejo de
viver e de pertencer a um lugar social: falam da luta para evitar perdas
(de referências)
surgidas por ocasião do adoecimento (buscando
a preservação e reconstrução da identidade),
da associação aos códigos do lugar (trabalho,
gênero, família, religião), da manutenção
e do fortalecimento dos vínculos sociais (trocas, alianças,
interações na rede social) e da busca de autonomia e liberdade,
para circular e reconstruir suas experiências, tanto subjetiva, como
objetivamente.
Considerações
finais - Dos fios cotidianos, a trama que ensina
Na
riqueza desse percurso, as inter-relações vividas nos espaços
da cidade apresentaram-se como focos mais ativos de subjetivação
desses sujeitos, dado que é, nessas circunstâncias, que aprendem
regras, constroem estratégias, exercem trocas, forjam alianças,
driblam repressões, criam saídas ou, no limite, mantêm-se
conectados ao território imaginário, como via possível
para sobreviverem ao turbilhão do adoecimento. A incorporação
do espaço público não se coloca em oposição
aos demais, mas, como parte fundamental das estratégias mais amplas
de suas vidas.
Dessa
forma, trazer a cidade, como espaço de convivência e de prática,
como ação terapêutica estruturada e/ou não,
faz a vida ganhar outras dimensões, não só para as
pessoas em sofrimento e suas famílias, como para todos os envolvidos
no universo dos serviços de saúde mental, provocando rupturas
ao modelo vigente.
Do
ponto de vista da prática terapêutica, esta ganharia mais
consistência, por possibilitar um encontro entre os territórios
geográfico e existencial, nascedouro de uma força de produção
de modos de ser e de sentir, uma arena de subjetividades, tecidas na relação
intersubjetiva, no espaço da cidade, e que permite agregar pessoas,
signos, fatos, acontecimentos, emoções, sentimentos, normas,
solidariedade, constituindo potentes roteiros de passagem.
A
análise ajuda, ainda, a repensar o território, conceito “engessado”
na prática dos serviços, por girar mais em torno da necessidade
da instituição de saúde e menos do sentido produzido
na vida das pessoas do local, perdendo de vista a sensibilidade à
lógica impressa no cotidiano. Essa situação complexa
e conflituosa pode apresentar-se como oportunidade para profissionais de
diferentes serviços de saúde problematizarem suas concepções
e práticas, e se posicionarem de outro lugar, onde a instabilidade,
as incertezas, a desorganização e a reorganização
façam parte da história a ser apreendida, a cada momento,
a cada nova situação. Dessa forma, seria possível
criar novos papéis, novos sentidos, buscando superações
do que, há muito, não responde ao universo de “usuários”
de saúde mental do município, que se sentem inseguros e desrespeitados,
pela falta de responsabilização das instituições
para com eles e suas problemáticas.
O
desafio: desenvolver “tecnologias de saúde”, que possibilitem tecer,
junto com o sujeito, novas redes, novos itinerários, para os quais
seus investimentos façam sentido, de modo que a subjetividade petrificada
possa vir a vitalizar-se e, o que era desejo despotencializado, ser reativado,
buscando fisgar, nas próprias trajetórias,“elementos que
possam, eventualmente, funcionar como componentes dessas redes; identificar
focos susceptíveis de fazer a existência do (sofredor psíquico)
bifurcar em novas direções, de modo que territórios
de vida possam vir a ganhar consistência” (Rolnik,
p.91). É desses enlaces do sujeito com o campo sócio-cultural
que, acreditamos, seja possível a criação de novos
itinerários, com mais ruas que clausuras, mais fluxos que fixos,
mais escuta que contenções, mais acolhimento que retórica,
mais sensibilidade que protocolos, mais colorido que escuridão,
mais resistência que subordinação, mais tensão
que passividade, mais diversidade que normalização, mais
metamorfose que estagnação, mais autonomização
que passatempo e, para além da doença e do sofrimento, mais
saúde, mais alteridade, mais subjetividades autônomas e livres
para o mundo “psi”.
A
partir dessa perspectiva, necessário se faz que serviços
de saúde mental, em especial, equipamentos “substitutivos”, aprofundem
discussões acerca da real missão de cada um para com a população,
que sente e sofre mentalmente. Reconhecemos a necessidade da presença
e intervenção das instituições de saúde
mental, em diferentes momentos e situações da vida desses
sujeitos e de suas famílias, contudo, de modo a preservar os vínculos
e comprometendo-se, desde o resguardo e proteção, quando
a crise se intensifica, até o apoio às possibilidades de
autonomização de suas ações, afirmando-os como
sujeitos de direitos .
Enfermeira,
doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública
da USP, Professora da Universidade de Passo Fundo/RS.
Psicóloga,
doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública
da USP/SP, Professora e orientadora do Programa de Pós-Graduação
em Saúde Pública da FSP/USP/SP.
Referências
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E.e Le Moigne JL. A inteligência da complexidade. 2.
ed. São Paulo: Petrópolis; 2000.
Morin E. Introdução
ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget; 1990.
Morin E. Ciência
com consciência. 2. ed. Rio de Janeiro: Berhand Brasil; 1998.
Magnani
JGC. De perto e de dentro: nota para uma etnografia urbana. Rev.
Brasil. Ciências Sociais 2002; 17(49): 11-29.
Magnani
JGC. A antropologia urbana e os desafios da metrópole. Tempo
Social: Revista de Sociologia da USP 2003; 15 (1): 81-95.
Rolnik S.
Clínica Nômade. In: Equipe de Acompanhantes Terapêuticos
do Hospital-Dia: A Casa (Orgs.). Crise e cidade. São Paulo:
Educ; 2000. p. 83-97.
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