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SAMBISTAS E “SAMBEIROS”:
ESCOLAS DE SAMBA E TORCIDAS ORGANIZADAS NO CARNAVAL DE SãO PAULO
Arthur Oliveira Bueno
CONTINUAÇÃO
Fenômeno análogo
aconteceu em relação ao Carnaval. Nos anos 70, o desfile
das escolas de samba cariocas, que havia sido oficializado em 1935 (o que
garantia às escolas subsídios governamentais), consolidou-se
como um acontecimento de massa, passando a servir de modelo para carnavais
de outras cidades brasileiras. Em São Paulo, os desfiles carnavalescos
foram oficializados apenas em 1967, passando assim a contar com regras
escritas (copiadas do regulamento carioca) e a promoção da
Secretaria de Turismo da Prefeitura, o que reduziu a informalidade e abriu
espaço para uma maior organização das agremiações
.
Vê-se que, nesse momento,
os universos do futebol e do samba já não mantinham as relações
estreitas que os caracterizaram nos anos 20, 30 e 40 (como no exemplo da
Vai-Vai). Do desenvolvimento organizacional e da formação
de ligas, federações etc., derivou uma nítida separação
entre os dois domínios. Todavia, na mesma década de 70, voltou
a acontecer, em novos moldes (e especialmente na cidade de São Paulo),
uma reaproximação entre o samba e o futebol. Agora a mediação
não era feita pelos times de várzea, mas pelas torcidas organizadas.
Em 1975, a torcida Gaviões
da Fiel formou um bloco carnavalesco e passou, desde então, a desfilar
no Carnaval paulistano. Depois de alcançar por doze vezes o primeiro
lugar na categoria de Bloco Especial, a Gaviões foi convidada, no
ano de 1989, a transformar-se em escola de samba
. Pouco depois da torcida corinthiana, a Torcida Jovem do Santos, em 1979,
e a Torcida Tricolor Independente, em 1981, passaram a integrar o desfile
dos blocos. Ainda nos anos 80, foi a vez da Camisa 12, mais especificamente
em 1984. Na década seguinte, T.U.P. (Torcida Uniformizada do Palmeiras),
Pavilhão 9 e Mancha Verde formaram seus blocos carnavalescos - em
1991, 1992 e 1996, respectivamente.
Assim, escolas de samba e
torcidas organizadas constituíram-se em formas diferentes de organizar
o lazer, ligadas a estilos de vida distintos, passando a interagir, construindo
"redes e gramáticas combinatórias que enunciam uma circularidade
por entre as várias esferas de manifestações populares"
(Toledo, 1996:95).
Porém, essa circularidade
não se dá sem tensões, produzidas tanto dentro das
agremiações, que participam desses dois mundos sociais (o
futebolístico e o carnavalesco), quanto externamente, na relação
destas com as demais escolas de samba.
3.2 "Uma
torcida que samba"
3.2.1 A quadra
dos Gaviões
Tendo isso
em vista, a pesquisa de campo foi centrada na quadra do Grêmio Recreativo
Gaviões da Fiel Torcida. Ao longo do ano, esse espaço é
apropriado e ressignificado de diversas maneiras, além de servir
de base para tipos diferentes de sociabilidade.
Todos os sábados
acontecem pelo menos duas atividades: a tradicional feijoada com pagode
e as reuniões para os novos associados, em que estes são
apresentados à história da fundação da Gaviões,
aos lemas e regras da "família", etc. Ambos os eventos parecem ocorrer
desde a fundação da agremiação (sendo o que
consta no site da Gaviões e o que relataram nossos informantes)
e fazem com que a quadra se transforme, semanalmente, num ponto de encontro,
um locus de sociabilidade freqüentado tanto pelos gaviões mais
atuantes (diretores, mestres de bateria, o pessoal da velha-guarda, etc.),
quanto por pessoas que moram ali perto, sócios e simpatizantes de
outros locais. Nessas ocasiões o ambiente é bastante tranqüilo,
comparecendo um público variado: famílias, namorados, amigos.
Nas noites de sexta-feira,
acontece o "Botequim da Fiel", quando são realizados shows de grupos
de pagode, tais como Fascinação, Um Toque a Mais, Badabauê,
D-Verdadi, Coisa da Antiga, Samba Diferente e Negritude Junior. Esse evento,
que foi criado recentemente, há cerca de dois meses, inspirado em
atrações similares promovidas por outras escolas de samba
de São Paulo (segundo nos contou a informante Cida, do Departamento
de Eventos), reúne um público mais jovem e transforma a quadra
num ambiente mais "agitado".
Podem ainda ocorrer durante
o ano outros shows, como o que estava marcado para o dia 4 de julho
de 2003, com os grupos de rap Racionais MC´s, Rappin' Hood e 509-E.
Nessa ocasião, supõe-se, o público deve ter sido bastante
diferente daquele que costuma freqüentar os "botequins", dada a especificidade
das atrações que centralizam cada um desses eventos.
No dia 26 de julho acontece
uma das festas mais importantes do calendário da agremiação:
o aniversário da Gaviões da Fiel. Nessa ocasião, segundo
relataram Cida e Roberto Szanieski, a quadra é ocupada quase exclusivamente
por torcedores "radicais" (a análise desta e de outras categorias
nativas será feita mais adiante), que se juntam para cantar o hino
do Corinthians e entoar os gritos de torcida próprios dos estádios.
Além dos
já citados, há também os acontecimentos relacionados
à atuação da Gaviões no Carnaval paulistano:
a festa de apresentação dos "pilotos" (os protótipos
das fantasias a serem confeccionadas), as eliminatórias para escolha
do samba-enredo e os ensaios, que reúnem membros de outras escolas
de samba e pessoas desse universo em geral - um público mais próximo
daquele que freqüenta os "botequins".
A quadra da Gaviões,
portanto, adquire contornos e significados bastante distintos dependendo
do evento que ali se realiza. Essas diferenças apontam não
só para a heterogeneidade do público que freqüenta esse
espaço, como para a diversidade de relações que podem
se estabelecer com a (e na) Gaviões da Fiel.
3.2.2 As regras
da "família"
Um ponto que apareceu
na maioria das entrevistas realizadas é ser a Gaviões
da Fiel - a agremiação em geral, mas sobretudo a quadra -
um lugar de estabelecimento de laços de sociabilidade duradouros.
Parece que os informantes fazem questão de ressaltar isso, em razão
da imagem de violência e marginalidade que marca a visão de
senso comum sobre as torcidas organizadas.
Nelsinho, por exemplo, que
está na Gaviões desde 1973, conta que conheceu sua mulher
em 1979 e que ambos eram da torcida, mas nunca tinham se visto. Ele
era lutador de boxe, estava disputando uma vaga no Pan-americano e resolveu
lutar vestindo a camiseta da Gaviões. Diz que ganhou "primeiro
a luta e, depois, a mulher", que tinha ido puxar conversa com ele por causa
da camiseta.
Além desse caso, tanto
o diretor de harmonia quanto Pacaratá chamaram a atenção
para o fato de que se fazem muitas amizades na Gaviões. Este último,
durante a entrevista que concedeu do lado de fora da quadra, viu
passar um amigo e falou: "Olha, esse eu conheci aqui dentro. Não
conhecia, e hoje é um puta amigo. [...] A gente foi na igreja juntos.
O cara tava meio mal, com uns problemas... A gente foi até na igreja,
cê acredita?"
Há também um
discurso oficial que identifica a Gaviões da Fiel como uma grande
"família". O exemplo abaixo foi retirado de um texto do site da
entidade que trata das reuniões para novos membros:
[...] Já devidamente
estimulados a integrar nossa família, os novos integrantes da entidade
corinthiana participam da última rodada de esclarecimentos em relação
a filosofia da torcida, comportamento nas arquibancadas, os órgãos
que dirigem os Gaviões (Conselho Deliberativo e Diretoria Administrativa),
os lemas a serem seguidos (Lealdade, Humildade e Procedimento) e principalmente
a consciência de que o glorioso Sport Club Corinthians Paulista é
a única razão da nossa existência.
A idéia de "família"
também aparece no discurso dos torcedores, como mostra o trecho
a seguir, retirado do fórum de mensagens do site:
OI
GALERA, EU QUERIA AQUI DEIXAR MEU DEPOIMENTO E AGRADECIMENTO A ESSA TORCIDA
MARAVILHOSA, HOJE APESAR DE SER 2003 AINDA HÁ MUITO PRECONCEITO
COM AS MULHERES QUE GOSTAM DE FUTEBOL E QUE VÃO AOS ESTÁDIOS
INCLUSIVE POR PARTE DE ALGUNS DA FAMILIA COM MEDO DESSA VIOLÊNCIA
ASSUSTADORA. [...]
MAS
A QUESTÃO QUE EU QUERO TOCAR É A SEGUINTE: mENINA SOZINHA
INDO COMPRAR INGRESSO OU PEGAR ONIBUS NOS TERMINAIS PARA IR AJOGOS, NÃO
TEM O QUE TEMER POIS ESSA TORCIDA PROTEGE E MUITO AS MULHERES.
CERTA
VEZ EU COMPRANDO INGRESSO DE TIMÃO E UM CERTO TIMINHO DE SEGUNDONA
NÃO PERCEBI A CONFUSÃO E QUASE TOMEI UMA BORRACHADA, SE NÃO
FOSSEM TRÊS IRMÃOS QUE EU NEM CONHECIA ENTRAREM NA FRENTE
E APANHAREM POR MIM.
DEPOIS
DESSE DIA EU PERCEBI QUE A FIEL É UMA FAMÍLIA DE VERDADE
E COM IRMÃOS QUE EU PARTICULARMENTE ADORO. [...]
("bruninha_dafiel", mensagem
postada em 25/06/2003 às 17h59)
O trecho é
interessante porque contrapõe uma possível família
"de fato", mas preconceituosa, à "família de verdade" que
se forma na Gaviões da Fiel, sustentada por "irmãos" que
não necessariamente se conhecem, mas que, como mostra um dos trechos
seguintes, têm como objetivo comum defender o Corinthians:
AE
BRUNINHA, CONCORDO COM TUDO O QUE VOCÊ FALOU, E É MUITO BOM
VER QUE A NOSSA FAMILIA TEM MUITO RESPEITO POR NÓS MULHERES NEH!!!
("Quel_lhp", mensagem postada
em 25/06/2003 às 18h10)
PARABENS
BRUNINHA EH ISSO MESMO GAVIOES EH UMA FAMILIA!!!!!!!!
CONTRA
TODO INIMIGO SOMOS NOHS OS GAVIOES!!!!!!
ABRACO
A TODOS DA MAIOR FAMILIA DO MUNDO!!!!!!!!!
("Thiagogaviaolhp", mensagem
postada em 26/06/2003 às 10h22)
AIH
BRUNINHA, NÓS(GAVIÕES) DEPENDEMOS DE NÓS(GAVIÕES),
NÓS NOS PROTEGEMOS, E OS 2 NÓS JUNTOS, É A FAMÍLIA
Q DEFENDE O TIMÃO!!!!!!
("WATCHA_LHP_Z/S", mensagem
postada em 26/06/2003 às 16h06)
É
isso mesmo Bruninha,voce pode ter certeza que respeito nunca vai faltar
com as minas que colam nos estádios,na quadra ou em qualquer outro
evento que esteja presente os GAVIÕES DA FIEL,o nosso lema é
muito forte - L H P [...]
("LMC", mensagem postada
em 25/06/2003 às 18h12)
Ae
QUEL, ae se alguem relar em vc, é daquele jeito...
("FielMooca", mensagem postada
em 26/06/2003 às 15h50)
Entretanto, essa
família tem regras, sendo a principal delas dada pelo lema
"Lealdade - Humildade - Procedimento", ou simplesmente "LHP". Segundo Nelsinho,
esse lema era de uma escola de samba chamada "Imperador do Ipiranga" e
foi adotado pela Gaviões em meados da década de 80, trazido
por um diretor que também integrava aquela escola. Ele estabelece,
de modo geral, como devem ser as relações entre membros da
"família", não se estendendo necessariamente a torcedores
de outros times. Dos três termos, o terceiro é o que mais
chama a atenção. Questionado sobre qual seria o significado
de "procedimento", Nelsinho respondeu: "É o 'procedê'. O 'procedê'
que eu tenho com você, com você...".
Vê-se, portanto, que
essa categoria não tem uma definição precisa, o que
tampouco parece ser um problema; não precisa ser explicado, é
óbvio - para quem é da "família". De todo modo, pode-se
definir "procedimento" como algo relacionado a uma atitude, um jeito de
ser, de tratar alguém que é reconhecido como um "irmão" .
Não há como defini-lo melhor: é o "procedê".
Outro lema assumido coletiva
e oficialmente pela Gaviões é "A corrente jamais será
quebrada", que Nelsinho afirma ter sido adotado desde a fundação
da agremiação. Supõe-se, porém, que a frase
deva ter assumido um significado mais forte para os gaviões a partir
de 1995, quando torcidas organizadas como Independente Tricolor, de torcedores
do São Paulo, e Mancha Verde, de palmeirenses, foram fechadas por
decisão judicial (por conta do caráter violento atribuído
a esses agrupamentos e, especificamente, em razão da "batalha campal"
que ocorreu no Pacaembu após a final da Copa São Paulo de
Juniores entre São Paulo e Palmeiras, em 1995) e outras, como a
própria Gaviões da Fiel, foram proibidas de ostentar seus
símbolos nos estádios (em camisetas, bandeiras, etc.) e ameaçadas
de fechar. Isso pode ser exemplificado pela "assinatura" que um torcedor
escolheu para ser repetida em todas as suas mensagens no fórum do
site da Gaviões:
A
GAVIÕES NÃO ACABOU, E JAMAIS ACABARÁ, VOCÊ PODE
ACREDITAR, NOSSA CORRENTE NÃO SERÁ QUEBRADA...LHP.
O risco do
fim da agremiação, mesmo que atualmente bastante fraco
(não há mais nenhum processo de fechamento contra a Gaviões),
parece ter motivado uma série de mudanças na agremiação.
Os gritos de torcida, que antes eram marcadamente agressivos, foram amenizados
(segundo Nelsinho, a Justiça proibiu cantos violentos nos estádios).
Assim, por exemplo, havia um famoso grito, cantado por todas as torcidas
organizadas da São Paulo, que dizia:
Sou, da Gaviões
[ou Mancha Verde, etc.] eu sou
Vou dar porrada eu vou
E ninguém vai
me segurar
Nem a PM
Após as torcidas
organizadas terem sido proibidas de entrar nos estádios, a música
sofreu uma pequena alteração: o último verso agora
dizia "Nem o Farah [presidente à época, e até hoje,
da Federação Paulista de Futebol]". Atualmente, contudo,
ela foi modificada para:
Sou, da Gaviões
eu sou
Corinthians joga eu vou
E ninguém vai
me segurar
Como se vê,
as referências violentas foram todas retiradas e substituídas
por uma manifestação de fidelidade ao time. Mesmo em músicas
em que os elementos agressivos eram mais sutis, considerando o contexto
de rivalidade entre times e o linguajar comum aos torcedores, estes foram
alterados. Um exemplo é uma canção que, originalmente,
era assim:
Pó-ró-pó
pó pó pó pó pó (4 vezes)
Corinthians veio pra
vencer (3 vezes)
E [o time adversário]
pra se fuder
Com as últimas
mudanças nos gritos, a última estrofe foi mudada para: "E
[o time adversário] pra perder" - o que, além de tê-la
deixado menos agressiva, tirou bastante de seu caráter expressivo
e poder de intimidação .
Mas, o recrudescimento da violência entre torcedores de futebol nos
anos 90 e os acontecimentos de 1995, que tanto ameaçaram as torcidas
quanto motivaram a tomada de consciência dos próprios torcedores
organizados a respeito do problema da agressividade, fizeram com que os
diretores e as pessoas mais envolvidas com a Gaviões da Fiel tenham
hoje uma atitude bastante cautelosa com relação à
violência e à moralidade não apenas nos estádios,
mas principalmente na própria quadra da torcida.
Os informantes procuraram
ressaltar, tanto nas entrevistas concedidas quanto nas reuniões
para novos sócios, o lado "bom caráter" e "correto" das pessoas
que freqüentam a quadra. Um ponto ressaltado pelas pessoas mais envolvidas
com a agremiação (diretor, mestre de bateria, presidente
do conselho) é o fato de que, dentro da sede, a violência
é controlada e a moralidade, preservada: "Drogas, brigas, aqui dentro
a gente controla. Se pegar o cara... Agora, daqui pra fora já não
é mais com a gente" (Alex Sandro, diretor social). Percebe-se que
esse é um discurso pronto para lidar com um tema embaraçoso,
tendo sido repetido quase igualmente por vários entrevistados. Entretanto,
a questão é complicada justamente pela real impossibilidade
de se controlar cerca de setenta mil associados, provenientes das mais
diversas regiões da cidade, condições sociais, etc.
Uma forma de controle interno
é também a criação e difusão de lemas
que estimulam atitudes menos violentas. Um exemplo: "Gavião não
age, reage". Essa frase, adaptada do senso comum e afirmada nas reuniões
para novos sócios, exalta uma atitude defensiva, não violenta,
sem, contudo, parecer covardia, o que seria considerado extremamente humilhante,
sendo a afirmação da virilidade uma característica
bastante presente entre os torcedores organizados (essa questão
é analisada mais adiante como um dos elementos constituintes do
que chamamos de habitus viril). É interessante notar como, no discurso
que envolve esse lema, a covardia se caracterizaria não apenas por
uma falta de reação, mas também por uma ação
sem motivo contra alguém sem capacidade de reagir: "se passar um
'bambi' [torcedor do São Paulo] sozinho aqui do lado, a gente não
vai bater no cara. A gente não é covarde" (Pacaratá,
presidente do conselho).
É, também,
curiosa a explicação do motivo pelo qual o animal gavião
foi escolhido como símbolo da torcida:
"Por
que Gavião? Porque sabe a hora certa de dar o bote" (Pacaratá,
durante reunião para novos sócios).
Aqui a
ambigüidade entre agressividade e defensividade é evidente:
a frase pode ser entendida tanto como elogio a uma esperteza predatória,
quanto - desde que afirmada junto com a citada no parágrafo anterior
- como uma exaltação da "reação", e não
da "ação".
Essa ambigüidade aparece
também quando, conversando com o pesquisador depois da reunião,
Pacaratá relativizou o discurso moralizador há pouco pronunciado.
"Na reunião a gente fala da paz, tenta conscientizar. [...] Mas
sabe que não é assim". Ele próprio afirmou ter consumido
drogas (não mencionou quais) quando mais jovem e ter algumas passagens
pela polícia: "Adolescente é aquela coisa: uma adrenalina,
a gente não controla. Agora que eu sosseguei". Em relação
à violência na quadra, acontece algo parecido. Ele relatou
dois casos envolvendo homossexuais em que, se não houve, de fato,
agressão corporal, chegou-se muito perto disso (a análise
desses casos é aprofundada mais adiante).
Assim, se fora da Gaviões
a responsabilidade pelos atos fica por conta de cada um dos sócios,
dentro da quadra há ocasiões em que o conflito se torna iminente.
De todo modo, os diretores tentam controlar situações de
tensão como podem. Depois de Pacaratá ter mencionado que
existem tanto policiais quanto traficantes, bem como "gente do Comando
Vermelho", que são sócios dos Gaviões da Fiel, pôde
ser feita mais diretamente uma pergunta sobre o nível de periculosidade.
Ele, então, afirmou que, em dia de festa, cercam o quarteirão
onde fica a quadra com seguranças contratados.
3.2.3 Paixões
do jogo
Uma característica
bastante presente na fala dos gaviões em geral é a paixão
pelo Corinthians, como seria de esperar em uma agremiação
cuja existência se justifica em função deste time de
futebol. Nesse sentido, na hierarquia dos afetos, a relação
com o Corinthians parece estar sempre acima de todas as outras, até
mesmo quando se trata da própria Gaviões. Isso aparece tanto
em textos oficiais, como o já reproduzido sobre a reunião
para novos membros ("o glorioso Sport Club Corinthians Paulista é
a única razão da nossa existência"), quanto nas "assinaturas"
que os torcedores escolhem para acompanhar as suas mensagens no fórum
do site. Algumas foram selecionadas para exemplificar a referida relação
com o clube:
CORINTHIANS
VOCÊ É A MINHA VIDA TE AMO , TE AMO DE VERDADE!!!
CORINTHIANS
A RAZÃO DO MEU VIVER
EU
SOU CORINTHIANS DE CORAÇÃO!!!!
* CORINTHIANS:
SEM VOCÊ NÃO EXISTO *
Minha
Vida tem um pouquinho de tudo, mas 100% é corinthians
*CORINTHIANA
eu serei até a morte*
Perdeu
uma, perdeu duas, perdeu mil, CORINTIANO até à Puta Que Pariu.
EU
SOU VALENTE EU SOU O BRAVO GUERREIRO E O CORINTHIANS COMPANHEIRO MORA NO
MEU CORAÇÃO... Z/O
Sou
Gavião Fiel de origem louco, nada bobo.
*Triste
é o Ser Humano que não é CORINTHIANO*
Pelo
CORINTHIANS, com muito amor, até o fim...
CORINTHIANS,abaixo
de DEUS acima de tudo
CORINTHIANS...ACIMA
DE TUDO E DE TODOS!!!
Tá
no sangue, tá na alma, tá no coração.
Não
dá pra explicar.
Só
quem é sabe.
Ainda que isso possa
ser encarado como mero discurso, que teria por função construir
uma legitimidade e uma respeitabilidade dentro da Gaviões (o que
não deve ser descartado), parece que, de fato, a relação
com o Corinthians é, em alguns momentos, bastante apaixonada. O
diretor de harmonia, por exemplo, afirmou: "Quando o Corinthians ganha
um campeonato, é como se a gente fosse sorteado na loteria". Do
mesmo modo, a perda de um campeonato importante parece afetar bastante
esses torcedores: "Essa derrota para o River Plate [que eliminou o Corinthians
da Copa Libertadores da América] não foi fácil de
engolir" (Nelsinho, mestre de bateria).
Mas, se a Gaviões
da Fiel tem um peso afetivo menor do que o Corinthians, ela não
deixa de ser também muito importante para as pessoas que têm
uma maior participação na entidade (diretores, etc.), assim
como para os torcedores mais envolvidos. Esta importância está
em parte relacionada ao fato de, como já foi apontado, engendrarem-se
nessa entidade e em sua quadra relações de sociabilidade
mais ou menos duradouras. Mas parece ter a ver, também, com a construção
de uma identidade social, que pode se somar a outras, como mostram as seguintes
"assinaturas":
CaDuZiNhO-LHP
Gaviões
Sub-Sede Piracicaba (Z/L V.M.)
.:Lealdade
Humildade Procedimento:.
COISA
BOA É PRA SEMPRE (* L H P *) zn
NOSSA
CORRENTE NÃO SERÁ QUEBRADA
RAFA
FIEL LAPA Z/O
L.H.P
Eu
tenho orgulho de ser Gavião
JOGADORES
VAO.CLUBE FICA!!!!!
COHAB1
MORRAO DO TIMAO!!
FIEL
ATE A ALMA !!
LHP
NA MENTE
PAZ!!
Ñ
SEJA DIFERENT,SEJA DIFERENÇA,SEJA GAVIÕES DA FIEL
JESUS!
watcha_lhp@hotmail.com(ICQ/MSN)
LEALDADE-HUMILDADE-PROCEDIMENTO
LUCIANO
DA FIEL
PARANAGUA-PARANA
SOCIO-59.936
VEJAM
SÓ A POEIRA QUE SOBE PRO CÉU
BALANÇA
BANDEIRA GAVIÕES DA FIEL
LEALDADE
- HUMILDADE - PROCEDIMENTO
UMA
NAÇÃO EM PRÓL DE UMA PAIXÃO
Guardiã_Fiel,
AMO-TE DEMAIS
Assim, o lema
abreviado "LHP" aparece freqüentemente
nessas "assinaturas" acompanhado de outros sinais de identidade, que podem
ser relativos a religião ("Jesus"), cidade de origem ("Paranaguá
- Paraná", "Gaviões Sub-Sede Piracicaba"), bairro ou região
da cidade ("Lapa Z/O", "Cohab 1", "Z/L V.M."), bem como apelido ("Caduzinho",
"Rafa", "Watcha").
Por outro lado, se essas
pessoas se envolvem afetivamente e, em certo sentido, apaixonadamente com
o Corinthians e com a Gaviões da Fiel, isso não parece impedi-las
de atuar em outros domínios da vida social: a adesão não
é incondicional. Quem chamou a atenção para isso foi
Pacaratá, durante uma reunião para os novos sócios:
"Aqui nós não queremos fanáticos. Todo mundo tem família,
tem emprego, tem que fazer o seu 'corre'..." Ele próprio falou que,
por um bom tempo, ficou sem aparecer na entidade (depois de ter se casado),
o que também aconteceu, sob outras circunstâncias, com o diretor
de harmonia.
De todo modo, esse vínculo
apaixonado dos Gaviões foi mencionado por diversos informantes como
um traço que diferencia a entidade de outras agremiações
carnavalescas. O carnavalesco Roberto Szanieski, que observa isso
"de fora" pois, apesar de ter trabalhado na Gaviões durante os carnavais
de 1998 e 1999, é um profissional remunerado que não faz
parte da entidade, foi bastante enfático ao explicitar esse caráter
apaixonado da relação dos membros com a agremiação:
"Uma coisa tem que ficar bem clara: Gaviões é paixão.
[...] Qualquer coisa que a gente vai mexer aqui é complicado por
causa disso". Pacaratá também confirmou, quando perguntado,
que a Gaviões tem uma relação diferente com o Carnaval
em comparação com outras escolas de samba; o diretor
de harmonia, por sua vez, mencionou um dos traços que marcam essa
diferença: "A Gaviões é rebelde".
3.2.4 Escola
de samba entre aspas
Na hierarquia dos
afetos em que estão envolvidos os integrantes da Gaviões,
depois do Corinthians e da torcida vem o Carnaval. O caráter subordinado
dessa atividade dentro da agremiação é sinteticamente
expressado no lema que cobre uma das paredes da sede e é bastante
repetido por aqueles que se envolvem com a Gaviões. O carnavalesco
Roberto Szanieski, assim que lhe foi explicado do que se tratava
a pesquisa, evocou enfaticamente a referida frase:
ARTHUR: Eu
tô estudando as relações entre torcida organizada e
escola de samba dentro da Gaviões...
ROBERTO:
Ih! Mas isso você não vai encontrar. Porque a Gaviões
não é uma escola de samba. É uma torcida que samba.
Depois, no decorrer
da entrevista, toda vez que falava da Gaviões enquanto escola de
samba, emendava "entre aspas", para que ficasse bem clara a diferença
entre a Gaviões da Fiel e as outras escolas de samba (sem aspas).
Contudo, para melhor compreender o que diferencia a Gaviões da Fiel
das entidades que atuam somente como escolas de samba, é preciso,
antes, retomar brevemente a história da inserção dessa
torcida no Carnaval paulistano, bem como qualificar as relações
que membros desta agremiação têm tanto com outras torcidas
organizadas, quanto com as demais agremiações carnavalescas.
Segundo informou um gavião
da velha-guarda, chamado para dar seu depoimento durante a reunião
para novos sócios, no início da década de 70, quando
a Gaviões ainda não havia formado um bloco carnavalesco,
seus integrantes desfilavam no Carnaval por escolas variadas, como Vai-Vai
e Camisa Verde e Branco (isso acontecia, segundo ele, porque entre dezembro
e fevereiro não havia campeonatos de futebol e o pessoal ficava
sem ter o que fazer).
Posteriormente, devido ao
grande número de Corinthianos e membros da Gaviões que desfilavam
no Vai-Vai (em parte por suas cores serem a preta e a branca, como as do
Corinthians), criou-se na escola uma ala especial somente para quem fosse
dessa torcida organizada. A ala teria, então, ficado cada vez maior,
até que seus integrantes resolveram não mais desfilar pelo
Vai-Vai, mas fundar o bloco dos Gaviões da Fiel.
Muitos como Nelsinho, atual
mestre de bateria dos Gaviões, continuaram por um tempo, ou até
hoje, desfilando nas duas agremiações. Basta atentar para
como isso seria inconcebível em relação a outras torcidas
organizadas para observar uma primeira diferença entre a lógica
da concorrência entre agremiações carnavalescas e a
lógica que preside a rivalidade entre torcidas organizadas.
Por exemplo, a entrada de
alguém na quadra da Gaviões com a camiseta de outra torcida,
ou de outro time que não o Corinthians, é altamente arriscada:
ARTHUR:
[...] E se eu vier aqui com a camiseta do Palmeiras, por exemplo?
NELSINHO:
Não faz isso... Não faz isso. [...]
Mesmo a mera
afirmação de que se torce para outro time, dentro da Gaviões,
é pouco recomendada: "A gente sabe que tem gente que vem aqui que
torce pros 'bambi' [são-paulinos], pros 'porco' [palmeirenses],
[...] mas enquanto não falar nada, tá tudo bem" (Pacaratá).
É preciso assinalar,
porém, que a relação com as outras torcidas
não é igual. Nelsinho menciona o fato de diretores da Torcida
Jovem, do Santos, já terem visitado a sede da Gaviões e até
jogado futebol na quadra. Falou, também, que com a Mancha Verde
há uma certa relação. O curioso é que ela acontece
apenas "enquanto escola de samba. Enquanto torcida, não tem relação
nenhuma" (Nelsinho). Este ano, por exemplo, depois da morte de duas pessoas
no último Carnaval por causa de brigas entre torcidas/blocos, Gaviões
da Fiel e Mancha Verde - Nelsinho ressalta que enquanto escolas de samba
- realizaram um ato público conjunto pela paz. Já com
a Independente, segundo Nelsinho, não há conversa, porque
seus integrantes, mesmo os diretores, são "desordeiros, traíras".
Todavia, mesmo com as torcidas
com as quais há uma relação um pouco mais amena, esta
não é semelhante à que é estabelecida com as
escolas de samba. A Gaviões não tem atualmente uma relação
boa com o Vai-Vai, pois o presidente desta é contra a participação
de torcidas no Carnaval e costuma criticar e provocar a entidade corinthiana
- no último Carnaval, por exemplo, depois de terminado o desfile
da Gaviões da Fiel e antes de começar o do Vai-Vai, Solon
Tadeu Pereira, presidente desta escola, afirmou: "agora vai começar
o samba de verdade, não samba de comédia". Apesar disso,
Nelsinho diz ainda ter simpatia pela escola.
Um exemplo que marca mais
uma diferença na relação entre escolas de samba, em
comparação com as relações entre torcidas organizadas,
é o fato de uma escola ser geralmente apadrinhada por outra. A Camisa
Verde e Branco, por exemplo, foi madrinha da Gaviões da Fiel, assunto
que foi recentemente discutido no fórum de mensagens do site desta
última:
Poucas
pessoas sabem mas a Madrinha dos Gaviões da Fiel é a escola
de samba Camisa Verde e Branco os Gaviões forão batizados
pelo Camisa Verde em 1988 pelo eX presidente já falecido Carlos
Alberto Tobias filho do baluarte do samba Inocêncio Tobias mas muitos
não sabem porque pelo Camisa ser verde e branco fazem comparações
da escola aos porcú mas não têm nada a ver e varíos
integrantes dos gaviões vão aos ensaios do Camisa e são
muito bem recebidos. Os Gaviões também é madrinha
das escolas Camisa 12, e Tradição da Zona Leste.
("Luis", mensagem postada
em 25/04/2003 às 02h28)
A partir deste exemplo
e do diálogo que se sucedeu a esta mensagem, evidencia-se como a
participação de uma torcida organizada no Carnaval provoca
confusões. Por um lado, alguns gaviões, geralmente (e não
por acaso) os mais distantes do universo das escolas de samba, misturam
de diversas maneiras as lógicas concorrenciais do futebol e do carnaval,
manifestando um maior ou menor repúdio à escola que, apesar
de ter batizado a Gaviões da Fiel, ostenta as cores do Palmeiras,
o maior rival do time do Corinthians:
TEM
Q SER CAMISA PRETA BRANCA!
("terror", mensagem
postada em 27/04/2003 às 13h38)
NA
BOA QUEM É CORINTIANO MESMO FANÁTICO TEM QUE TORCE PRO GAVIÕES
DA FIEL TAMBÉM PORQUE ACIMA DE TUDO É CORINTHIANS NA AVENIDA
("Rafael2003", mensagem
postada em 29/04/2003 às 04h36)
PARA
FICAR UMA ESCOLA 100% LEGAL SÓ FALTA MUDAREM PARA CAMISA PRETA E
BRANCA
("ZIGLE_zLHP", mensagem
postada em 06/05/2003 às 12h25)
Por outro lado, existem aqueles
que, por estarem mais inseridos no universo carnavalesco, acham que deve
haver uma separação entre os dois domínios e defendem
que "samba é samba e torcida é torcida":
EXATAMENTE
MANO ....E VOU ALEM....LEMBRO QUE QUANDO COMECEI A IR NO ESTADIO A FIEL
CANTAVA UM SAMBA DO CAMISA DE 1987 ( BARRA FUNDA ESTAÇÃO
PRIMEIRA ) UM DOS MELHORES SAMBAS QUE JA OUVI ATÉ HOJE.......A RAPAZEADA
TEM QUE APRENDER A SEPARAR AS COISAS, SAMBA É UMA COISA , FUTEBOL
É OUTRA.
NEM
TODO MUNDO QUE É CORINTHIANO GOSTA DA ESCOLA GAVIÕES, CONHEÇO
GENTE QUE TORCE PRO TIMÃO, MAS DIZ NÃO GOSTAR DA ESCOLA.......E
TB CONHEÇO GENTE QUE TORCE PRA OUTROS TIMES E TEM OS GAVIÕES
COMO ESCOLA DO CORAÇÃO.........É ISSO ......SEPARAR
AS COISAS......MAS UM DIA IRÃO ENTENDER MELHOR.
("lhpalmas-z/s", mensagem
postada em 25/04/2003 às 04h15)
AE
RAPAZIADA VAMOS RESPEITA O CAMISA VERDE BRANCO LA NO CAMISA A RAPAZIADA
E HUMILDE ELES RESPEITA OS GAVIOES DA FIEL E AGENTE RESPEITA O CAMISA NADA
CONTRA O CAMISA SAMBA E SAMBA E TORCIDA E TORCIDA .
("Sede", mensagem postada
em 03/05/2003 às 10h34)
Ae
rapaziada fmz? o camisa verde e branco foi quem batizou os gaviões
da fiel sim, mais vi alguns comentarios que desmereceram o camisa que e
uma escola de samba de muita tradição, eu mesmo frequento
o camisa e sou corinthiano e muitos sabem que eu faço parte da harmonia
dos gaviões e sempre que vou a quadra deles sou muito bem recebido
assim como qualquer outra quadra de escola de samba, GAVIÕES DA
FIEL , É uma grande entidade e é respeitada em todos os lugares,
por ser uma torcida e uma escola de samba, não tem nada a ver os
comentarios que surgem sobre qualquer entidade, acho que deveriamos respeitar
todas as escolas, assim como todas respeitam aos GAVIÕES DA FIEL
TORCIDA.
("ANDERSON_IMIRIM", mensagem
postada em 03/05/2003 às 12h28)
Cara,
a maioria da massa que frequenta a Camisa é de Corinthianos, o VERDE
fica só no nome e na bandeira.. hehehe... saudaçoes pra todos
da barra funda, bom retiro e VILA MARIA!
("Shark", mensagem postada
em 04/05/2003 a 00h09)
Houve, ainda, quem
explicitasse os possíveis conflitos, contradições
e confusões envolvidos na participação da Gaviões
da Fiel em dois domínios diferentes:
LEGAL
ESSE TÓPICO, DEIXA BEM EXPLICADO A HISTÓRIA DAS ESCOLAS........MAS
AE NA HUMILDADE,PORQ QDO ROLA NOTA BAIXA PRO CAMISA HÁ UMA GRANDE
MANIFESTAÇÃO DA PARTE DOS GAVIÕES NA ARQUIBANCADA
NO DIA DA APURAÇÃO??????
("DENNIS_LHP", mensagem
postada em 23/06/2003 às 17h54)
Agora
e se alguma pessoa for ao estádio ou em algum ensaio na quadra dos
Gaviões vestindo a roupa da camisa verde e branca, será que
alguém pediria para tirar ?
("Luiz-P.S.L.", mensagem
postada em 26/06/2003 às 13h37)
Além disso,
aparece nessas mensagens um respeito pelas escolas de samba concorrentes
que não existe por outros times de futebol e seus torcedores. Como
exemplo, há este outro tópico levantado no referido fórum,
bem como algumas das respostas:
Assunto:
Qual adversário você mais odeia!!!
Eu
e meus amigos corinthianos nos divergimos sobre qual clube atualmente é
o mais odiado. Uns dizem que são os lambaris [santistas], outros
os bambis, outros os eternos inimigos porcos de 2ª e tem até
que arrisca que é o flamerda. E aí qual vocês mais
odeiam?
("juares", mensagem
postada em 08/06/2003 às 21h15)
EU
ODEIO TODO MUNDO
("terror", mensagem postada
em 08/06/2003 às 21h22)
ODEIO
TODOS.....MAS PRINCIPALMENTE OS BIXARADA [são-paulinos].....
O
RACINHA DO CARALHO..........
("Psicopata_lhp", mensagem
postada em 08/06/2003 às 23h28)
Sem
duvida todos mais os que eu gostaria de ver o avião cair é
o do Palmeiras, Santos e Gremio
("PaulodaFiel", mensagem
postada em 09/06/2003 a 01h01)
A porcada
é de sangue...
("Klebão", mensagem
postada em 09/06/2003 às 08h08)
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